PMs de SP deixam de acionar câmeras antes de disparos, e mortes ficam sem gravação
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Policiais militares de São Paulo têm deixado de acionar de forma adequada a câmera corporal em ocorrências com mortes. Em ao menos cinco registros do último mês, os agentes atribuíram a ausência de imagens ao acionamento tardio dos equipamentos, em momento posterior aos supostos confrontos.
É algo recorrente, conforme relata um policial civil no registro formal de uma das ocorrências. Os PMs também citam, em outros casos, problemas com a duração da bateria e falhas no sistema da Motorola para justificar a falta de imagens.
O Ministério Público disse ser avisado mensalmente sobre os processos administrativos por falta de uso ou uso indevido das câmeras, mas os dados não foram compartilhados com a reportagem.
As informações das justificativas dos PMs constam em boletins de ocorrência de mortes decorrentes de intervenção policial a que a reportagem teve acesso. Em 5 de 25 boletins reunidos e analisados, todos na capital, há relatos de acionamento após os disparos.
O acionamento tardio contraria uma diretriz estabelecida pelo comando-geral da PM em julho de 2025. São previstas 16 situações em que é dever do agente acionar a câmera, como abordagens, operações e fiscalizações.
Em nove boletins, o acesso às imagens foi condicionado a envio de ofício para o batalhão dos policiais, o que contrasta com outros três registros em que PMs liberaram no ato a visualização pelo aparelho celular.
Em outros cinco, não há menção no documento sobre o uso dos equipamentos. Em um caso, a responsável pelo tiro não usava câmera. Há ainda a ocorrência da falta de bateria e a que cita o sistema da fabricante.
Uma das principais consequências da falta de imagens é o comprometimento das investigações, feitas pela Polícia Civil .
O sistema custa ao Governo de São Paulo cerca de R$ 4 milhões por mês e passou por mudanças no último ano na gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A principal delas foi a alteração do método de acionamento, que deixou de ser contínuo para ser manual, com possibilidade de acionamento remoto pela central.
Ocorrências sem gravação da abordagem, envio incompleto dos vídeos solicitados, acionamento tardio dos equipamentos e inoperância do sistema Motorola têm sido identificadas pela Defensoria Pública.
O órgão afirmou à Folha que as "informações levantadas têm sido comunicadas aos órgãos competentes para conhecimento e eventual adoção das providências cabíveis." Oito ofícios foram encaminhados desde julho de 2025.
Em 27 de julho, em Parelheiros, zona sul, Fábio Augusto da Silva Martins, 49, teria atirado contra policiais, que reagiram e o mataram. Segundo o boletim, os agentes disseram só ter acionado o equipamento depois dos tiros.
"[Os agentes] esclareceram que os equipamentos foram acionados somente após o entrevero, razão pela qual não há registro audiovisual do momento inicial da incursão nem do confronto armado propriamente dito", descreve o boletim.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.