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Economia

Sindicato vai acionar Justiça para anular demissão em massa na Casas Bahia

UOL Economia ·
Sindicato vai acionar Justiça para anular demissão em massa na Casas Bahia

O Sindicato dos Comerciários de São Paulo disse hoje ao UOL que prepara uma ação judicial para anular a demissão em massa de cerca de 2 mil funcionários da Casas Bahia, que entrou com pedido de recuperação judicial nesta semana.

Ação se baseará na proibição constitucional de dispensa em massa sem diálogo prévio com sindicatos. Ricardo Patah, presidente do sindicato, disse que a equipe jurídica da entidade pedirá suspensão dos desligamentos até que uma negociação seja realizada.

Demissões podem atingir cerca de 7% dos funcionários. A Casas Bahia empregava cerca de 30 mil no primeiro semestre do ano.

O sindicato negociará benefícios extras e a realocação de gestantes e funcionários em vulnerabilidade. Caso a via judicial falhe, as prioridades incluem a extensão da assistência médica, indenizações complementares e a transferência de gestantes para pontos de venda remanescentes.

Várias situações podem, numa negociação, tentar para diminuir o drama e a dor, com certeza, desses funcionários que basicamente são humilhados ao verem que vão trabalhar e a loja está fechada. Ricardo Patah , presidente do Sindicato Comercial de São Paulo

Reunião entre o sindicato e empresa está marcada para às 10h de amanhã. No encontro, o sindicato vai propor alternativas para evitar a demissão dos empregados afetados.

A varejista concentra cerca de 30% de todos os profissionais associados ao sindicato. A entidade afirma que a empresa é a que mais emprega associados.

Sindicato diz que não foi avisada previamente dos cortes, e que iniciou uma militância com distribuição de folhetos nas ruas. A entidade afirma que soube dos cortes de maneira informal e que exigirá a listagem completa das demissões para avaliar os impactos, para que possa prestar atendimento individualizado aos trabalhadores.

Procurada pelo UOL, a empresa ainda não se manifestou. A matéria será atualizada em caso de resposta.

O Grupo Casas Bahia protocolou um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas. Do passivo total, cerca de R$ 16,4 bilhões referem-se a compromissos quirografários, enquanto R$ 754 milhões correspondem a passivos trabalhistas e R$ 154 milhões são devidos a ME (Microempresas) e EPP (Empresas de Pequeno Porte).

O prejuízo líquido da companhia atingiu a marca histórica de R$ 10,1 bilhões devido a severos ajustes fiscais. O resultado negativo foi severamente pressionado por uma baixa contábil de R$ 5,7 bilhões em impostos diferidos, além de despesas de R$ 1,8 bilhão com vendas, que cresceram 17% no período.

A deterioração do caixa foi acelerada pelo cenário de juros altos e pelo fracasso na captação de recursos no exterior. A direção do grupo explicou que a restrição de crédito e a alta nos custos financeiros inviabilizaram alternativas de liquidez, especialmente após a desistência do principal investidor internacional que participava de rodadas de negociações em Nova York e na Europa.

As ações da empresa desabaram na Bolsa de Valores e atingiram o menor patamar histórico.

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