TJ-ES mantém bloqueio de bens de ex-presidente da Apex Partners
O Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo manteve o bloqueio de bens de Fernando Cinelli, ex-presidente da Apex Partners, investigado por suspeita de desvios financeiros na empresa.
O desembargador Raphael Câmara rejeitou o recurso de Fernando Cinelli para liberar seus bens. A medida de bloqueio atende a um pedido da própria Apex Partners após apurações internas identificarem irregularidades nas contas da companhia.
A Justiça citou a existência de saídas milionárias não justificadas para a conta pessoal do executivo. Na decisão, o magistrado afirmou que há materialização documental inequívoca de repasses sem comprovação de regularidade perante as regras societárias.
O valor do bloqueio dos bens de Cinelli está mantido no montante de R$ 5 milhões. A decisão ressalta que a medida é necessária para garantir a recomposição do patrimônio da empresa e o pagamento de credores em caso de condenação futura.
Apesar de manter o bloqueio, a Justiça reverteu a quebra do sigilo bancário do ex-presidente. O desembargador entendeu que a decisão da primeira instância sobre os dados bancários apresentou falhas técnicas na sua adoção.
Procurada, a assessoria do ex-presidente da Apex Partners não enviou comentários até a publicação desse texto. Reportagem segue aberta à posição de Fernando Cinelli.
Pedido de recuperação ainda não foi aceito pela Justiça. A Apex entrou com o pedido em 14 de setembro na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória . Ele inclui cerca de 148 empresas do grupo, com dívida preliminar de R$ 985,6 milhões.
Aval dos sócios é uma das pendências. No dia 23 de setembro, o juiz Marcos Pereira Sanches mandou o grupo completar a documentação com os dados financeiros pendentes, sob pena de encerrar o processo. Já o Ministério Público recomendou que a autorização dos sócios de cada empresa seja analisada separadamente.
Perícia encontrou falhas em todas as empresas. Segundo a Laspro Consultores, nomeada pela Justiça, as 148 sociedades deixaram de cumprir, total ou parcialmente, ao menos uma exigência da lei. Os balanços entregues ainda são prévios, e Cinelli afirma que parte das obrigações do grupo, como cashback e antecipação de recebíveis, ficou fora da lista de credores.
Fundador já questionava a autorização do pedido. Cinelli diz que a assembleia de 7 de setembro aprovou apenas uma medida para proteger os bens da empresa, e não a recuperação judicial. Ele afirma também que o grupo desrespeitou as próprias regras internas.
Crise teve origens em aposta nas ações da CVC. A Apex comprou mais de 15% da operadora de turismo entre 2025 e 2026 com dinheiro de clientes, a quem prometeu ao menos 100% do CDI mesmo se as ações caíssem. Os papéis despencaram mais de 30% em 2026, e a gestora teve de cobrir a diferença com o próprio caixa.
Cinelli foi afastado em agosto. Os sócios afastaram ele e o ex-diretor financeiro Eduardo Siqueira depois que uma auditoria interna apontou "inconsistências financeiras". A pedido da própria Apex, a Justiça bloqueou os bens do fundador e quebrou seu sigilo bancário, após identificar transferências de mais de R$ 23 milhões para contas pessoais dele.
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