Cupins criam ar-condicionado que funciona melhor do que usados por humanos
Um animal com menos de um centímetro é responsável por uma construção perfeita: o cupinzeiro.
A casa dos cupins tem uma característica única de resfriamento, já que consegue manter a temperatura independentemente do calor que esteja no ambiente externo .
Um projeto convocou 16 estudantes brasileiros para realizarem uma pesquisa de base.
O local escolhido foi a região da Chapada dos Veadeiros (GO), na cidade de Cavalcante, no Cerrado, considerada a savana com maior biodiversidade do mundo. • Delcio Goncalves Leia Mais Cientistas recorrem aos tubarões para melhorar previsões sobre furacões Entenda como o El Niño vai influenciar o inverno brasileiro 5 lugares para ver arte rupestre no Brasil, do Piauí a Minas Gerais Desmatamento no Cerrado pode impactar ciclo da água | CNN PRIME TIME Durante o trabalho de campo, os cientistas mediram a temperatura dos cupinzeiros.
D urante todo o período, a média interna do calor se manteve a de 23 graus , enquanto, do lado de fora, o calor escaldante da Chapada marcava mais de 30 graus ao longo do dia caía para 11 à noite.
Inclusive, o cupinzeiro serve para outros animais buscarem lugares mais frescos, como cobras e tatus.
O sensor de temperatura foi construído pelos próprios pesquisadores a um custo muito mais baixo que o tradicional , cerca de R$ 150,00, e batizado de ‘Tamanduíno’, em referência ao Tamanduá, que se alimenta de cupins e formigas.
“O cupinzeiro é um ar-condicionado perfeito, já que conseguem manter uma temperatura estável.
Ele tem um sistema de tubulação que permite que a temperatura fique estável ao longo do dia.
Podem ajudar projetos de engenharia e arquitetura sobre como fazer uso desse sistema dos cupinzeiros para manter ambientes em uma temperatura agradável, sem necessariamente utilizar eletricidade”, diz, Sofia Coradini Schirmer, bióloga e pesquisadora. • Delcio Goncalves Ciência na prática Além da ciência por trás da tecnologia dos cupinzeiros, os pesquisadores estudaram a predação das lagartas .
Com uma massinha simples e biodegradável, eles simulam o comportamento do inseto nas árvores e conseguem atestar que tipo de predador atua no local, entendendo melhor todo o ciclo da vida na região.
Toda criança nasce cientista, pela necessidade de descoberta do mundo, mas acabamos perdendo isso ao crescer.
Fazer esse tipo de trabalho de campo é como voltar a ser criança e cientista por natureza.
Arleu Barbosa Viana-Junior, professor da Universidade Estadual da Paraíba e líder do projeto sobre predação Outro aspecto importante que o projeto avalia é a sobrevivência e adaptação do Cerrado em relação ao fogo.
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