Rafael Fonteles na Fazenda: motivo para otimismo?
Não está claro até que ponto o governador do Piauí se compromete de fato com o controle das contas públicas
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Todos os setores da economia aguardam uma sinalização de Lula sobre o ajuste fiscal em seu quarto mandato. Há expectativa de que o presidente escolha rapidamente um ministro da Fazenda, para reduzir as incertezas que provocaram turbulências nos mercados depois da eleição.
Entre os cotados estão o atual ministro Dario Durigan, o senador e ex-ministro Camilo Santana e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Mas o nome que mais tem circulado é o de Rafael Fonteles, governador do Piauí, reeleito no primeiro turno com 71% dos votos.
É fato que Lula tem dado ouvidos a Fonteles. No domingo, o governador estava logo atrás do presidente durante o discurso de celebração da vitória eleitoral.
Não está claro, porém, quanto respaldo teria dentro do próprio PT. O partido tem um longo histórico de resistência a políticas econômicas defendidas até mesmo por ministros escolhidos e apoiados por Lula, quando elas contrariam suas convicções.
Tampouco é verdade que o mercado financeiro já tenha abraçado Fonteles. Ele não é um completo desconhecido: atraiu investimentos expressivos para o Piauí e já frequentou ambientes da elite econômica paulista, como a Casa das Garças.
Mas ainda falta clareza sobre o personagem, seu pensamento econômico e, principalmente, o significado de suas realizações no Piauí.
Fonteles tem uma trajetória administrativa incomum. Matemático, mestre aos 21 anos, foi secretário da Fazenda do Piauí entre 2015 e 2022, antes de assumir o governo estadual em 2023.
Sua gestão ampliou fortemente os investimentos públicos. Segundo levantamento da Folha, foram 13,1 bilhões de reais entre 2023 e 2026, ante 7,1 bilhões de reais nos quatro anos anteriores. O Piauí esteve entre os estados que mais investiram proporcionalmente à receita.
Os resultados aparecem no Ranking de Competitividade dos Estados de 2026, do Centro de Liderança Pública (CLP). O Piauí avançou do 21º para o 19º lugar entre as 27 unidades da Federação, sua melhor posição histórica. Lidera os indicadores de taxa de investimento público e oferta de serviços públicos digitais.
Mas a colocação geral mostra quanto ainda falta avançar. Apesar da melhora, o estado permanece na parte inferior da classificação nacional. O ranking também expõe contrastes: na edição de 2025, o Piauí era primeiro em taxa de investimento, mas último em resultado primário.
As contas apresentam outros indicadores favoráveis. A receita corrente líquida passou de R$ 13,5 bilhões em 2022 para 18,7 bilhões de reais em 2025. O comprometimento com pessoal, pelo critério oficial, permanece relativamente baixo. O Tesouro atribui ao estado nota B+ em capacidade de pagamento.
Há, porém, outra face dessa experiência. Entre 2023 e 2025, as operações de crédito corresponderam a cerca de 90% dos investimentos, segundo o Valor . O déficit primário acumulado na gestão chegou a 3,7 bilhões de reais, ante 147 milhões de reais na administração anterior.
A dívida cresceu e especialistas alertam que o modelo se aproxima de seu limite.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.