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Política

Skills, IA e reserva de humanidade: taylorismo que aplicamos a nós mesmos

Consultor Jurídico ·
Skills, IA e reserva de humanidade: taylorismo que aplicamos a nós mesmos

Todos os dias somos apresentados a um novo risco da inteligência artificial: alucinações, manipulação, desalinhamento [1] , ataques conduzidos por agentes contra infraestruturas empresariais e governamentais [2] e até especulações sobre a extinção da humanidade [3] .

Um risco, porém, permanece quase fora do debate, talvez porque não decorre de falha alguma, mas do uso bem-sucedido da tecnologia, qual seja, profissionais estão entregando às empresas que controlam os modelos de fronteira, por iniciativa própria e quase sempre de graça, as habilidades que levaram décadas para adquirir, sem refletir sobre o impacto disso em seu próprio ofício.

Magnific Competências codificadas para máquinas Este texto pretende provocar uma discussão que ainda não fizemos, ou seja, que direitos devemos ter sobre nossas próprias competências ( skills ) quando elas passam a ser codificadas para máquinas e, no mínimo, como impedir que as tendências de concentração (e de busca de monopólios) do setor de tecnologia convertam essa transferência numa transformação social silenciosa, na qual a formação profissional de uma geração servirá para dispensar a seguinte.

Limitarei o exame às áreas que possuo competência de atuação para analisar: a advocacia e a magistratura.

A mudança começa pela palavra.

Skill sempre designou a competência formada por estudo e experiência.

No entanto, ressignificada passou a designar também, na definição da Anthropic, “pastas organizadas de instruções, scripts e recursos que os agentes podem descobrir e carregar dinamicamente para ter melhor desempenho em tarefas específicas”, formato depois aberto como padrão para outras plataformas [4] .

O mercado jurídico imediatamente entendeu a promessa.

Recentemente, ao apresentar o Astra for Law , em setembro de 2026, a OpenAI declarou o compromisso de que os escritórios possam “aplicar à IA sua própria expertise, seus padrões e seu discernimento”, e citou um analisador de contratos que incorpora guias de negociação e precedentes selecionados de um grande escritório [5] .

Nas redes sociais, multiplicam-se cursos que ensinam advogados e juízes a fazer o mesmo com minutas de petições e decisões, análise de processos, marketing e gestão, ao lado de legal techs dedicadas a cada “dor” da profissão.

O que se transfere não é pouco.

Polanyi observou que “podemos saber mais do que podemos dizer” [6] .

Essa parcela tácita (o que o advogado procura primeiro nos autos, que argumento descarta, como calibra a peça para cada órgão julgador, quais e onde coloca argumentos nas peças etc.) sempre foi a mais difícil de transmitir, pois exigia anos de estudo, estágio, revisão e convivência.

Escrever uma skill é precisamente o trabalho de torná-la explícita, passo a passo, numa linguagem que a máquina executa.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.conjur.com.br — o conteúdo pertence a Consultor Jurídico.

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