Amorim recebe missão argentina e defende 'respeito' na relação entre países
Depois de terem passado pelo Itamaraty, no final da tarde de ontem, deputados e senadores da oposição argentina foram recebidos hoje pelo assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência da República, Celso Amorim, no Palácio do Planalto.
Em meio à crise entre os governos Lula e Milei, a missão parlamentar argentina conseguiu mais um encontro de alto nível em Brasília, no qual, segundo a coluna apurou, encontrou um aliado na cruzada por recompor o vínculo bilateral.
Amorim, disseram fontes oficiais à coluna, destacou a importância do diálogo e do respeito entre os dois países. Na conversa com os argentinos, o assessor internacional de Lula afirmou que "nosso desejo é que haja coincidência, mas quando não houver, que haja respeito".
A visita foi considerada importante por Amorim, que, no encontro comentou que ela representa "uma reafirmação, pelos representantes do povo argentino, da centralidade da relação entre os países".
Ao final, o ex-chanceler ressaltou: "Juntos, sempre seremos respeitados e mais fortes para defender os interesses de nossos povos".
Participaram do encontro os deputados Nicolás Massot, Oscar Herrera Ahuad, Eduardo Falcone, Esteban Paulón, Maximiliano Ferraro, Martín Lousteau e Germán Pedro Martínez e Victoria Tolosa Paz e a senadora María Florencia López. Todos de partidos opositores ao governo do presidente Javier Milei.
O governista A Liberdade Avança (LLA, na sigla em espanhol), foi convidado, assim como o Pro, liderado pelo ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019), aliado do presidente. Mas ambos decidiram não participar da iniciativa.
Hoje, Vieira se encontrará com seu colega de pasta argentino, Pablo Quirno, num encontro de chanceler do Mercosul em Montevidéu. Existe a expectativa de uma conversa entre ambos que possa começar a traçar o caminho de uma recomposição.
As tensões entre os dois governos começaram durante a campanha eleitoral na Argentina, em 2023, e nunca se interromperam. Em julho passado, Milei participou da convenção nacional do Partido Liberal (PL), e atacou o presidente Lula em seu discurso, chamando-o de "o presidiário".
O governo Lula chamou o embaixador Julio Bitelli para consultas e ao ver que os ataques de Milei ao presidente brasileira não paravam, foi tomada a decisão de não enviar Bitelli de volta para Buenos Aires, pelo menos até depois das eleições brasileiras.
Em paralelo, o embaixador argentino Daniel Raimondi foi chamado para dar explicações no Itamaraty e, na mesma conversa, foi informado sobre a decisão do Brasil de rebaixar o nível da relação a encarregado de negócios. Uma maneira diplomática de pedir que Raimondi se retirasse do país.
A atitude de Milei foi questionada por empresários e políticos, e levou o grupo de deputados e senadores da oposição a organizarem uma missão ao Brasil.
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