Nepal: 1.130 mortos e 4.462 desaparecidos após colapso de geleira
Uma semana após o colapso de uma geleira no Himalaia provocar uma onda devastadora de água, lama, rochas e detritos no norte do Nepal, as esperanças de encontrar sobreviventes diminuem. As equipes de resgate ainda procuram nesta quarta-feira (02/09) centenas de trabalhadores que podem estar presos em túneis de usinas hidrelétricas, enquanto o governo começa a preparar a reconstrução de uma região fortemente destruída.
Segundo as autoridades nepalesas, 1.114 corpos foram recuperados e 3.916 pessoas continuam desaparecidas . No vizinho Tibete, as autoridades chinesas registram 16 mortos e 546 desaparecidos. Somados, os números oficiais dos dois países chegam a 1.130 mortos e 4.462 desaparecidos. Entre os desaparecidos, estão mais de 800 estrangeiros de mais de 30 países.
O desastre ocorreu em 26 de agosto, quando o colapso de uma geleira na região do Himalaia, na fronteira com a China, desencadeou uma gigantesca onda de água e detritos que atingiu cidades, vales e infraestruturas próximas. Pelo menos 639 trabalhadores de projetos hidrelétricos continuam desaparecidos no Nepal.
As equipes de resgate concentram esforços nos túneis de várias centrais hidrelétricas. Pelo menos 279 pessoas foram retiradas dos escombros de instalações do setor, mas o trabalho enfrenta grandes dificuldades devido ao volume de lama, rochas e sedimentos que bloqueiam as entradas e o interior dos túneis. Equipes especializadas da Índia, China e Estados Unidos participam das operações .
Até agora, os socorristas recuperaram corpos em pelo menos dois túneis e conseguiram avançar algumas centenas de metros em outros, mas foram impedidos pelo acúmulo de detritos. O governo chegou inicialmente a estimar que mais de cem trabalhadores poderiam estar vivos dentro dos túneis. Uma semana depois, porém, as autoridades reconhecem que as chances diminuem a cada dia.
Bhim Gautam, diretor-geral da Associação de Produtores Independentes de Energia do Nepal (IPPAN), em entrevista à RFI , alerta que “a maioria das instalações está soterrada por poeira e pedras, às vezes a 13 ou 14 metros de profundidade”. “Lá dentro, pode já não haver comida, oxigênio ou água. As chances são mínimas. Não temos nenhum contato”, disse.
Para Gautam, a dimensão da destruição também exige uma revisão dos projetos de infraestrutura hidrelétrica no país. “É preciso rever a concepção para que os projetos hidrelétricos sejam mais resistentes. Onde e como construir os túneis? Que tipos de barragens menores devem ser utilizados? Ou grandes barragens, mas mais resistentes? De qualquer forma, é preciso reforçar as infraestruturas”, afirmou.
Enquanto as buscas prosseguem, algumas famílias já começaram a realizar cerimônias funerárias simbólicas para parentes que continuam desaparecidos . Em comunidades hindus, bonecos de palha são queimadas para representar os mortos e permitir, segundo a tradição, que suas almas encontrem descanso.
A catástrofe também atingiu duramente o setor energético. Onze usinas hidrelétricas e uma usina solar, com capacidade combinada de 431,1 megawatts, deixaram de operar, o equivalente a cerca de 10% da capacidade instalada de geração de eletricidade do Nepal.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em operamundi.uol.com.br — o conteúdo pertence a Opera Mundi.