Advogada e presa política na ditadura, Iracema Santos morre aos 99 anos em Teresina
Morre aos 99 anos a advogada e professora Iracema Santos Reprodução A advogada Iracema dos Santos Rocha da Silva morreu nesta segunda-feira (26), aos 99 anos em Teresina.
A informação foi divulgada pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Piauí (OAB-PI), por meio de uma nota de pesar.
A causa da morte não foi divulgada.
Natural de Floriano, Iracema Santos nasceu em 1927 e teve uma trajetória marcada pela atuação na advocacia, no jornalismo e na educação. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Além de professora, procuradora, jornalista e colunista social, destacou-se pela defesa dos direitos das mulheres e pela resistência à ditadura militar, período em que foi presa e sofreu perseguição política.
"Seu legado permanece como exemplo de coragem, compromisso e defesa das liberdades", afirmou a nota.
A associação Piauiense dos Procurados do Estado (APPE), também se solidarizou pelo falecimento de Iracema e destacou que ela foi a primeira mulher a presidir a associação.
"Mulher de coragem e defensora dos direitos das mulheres, deixa um legado de conhecimento, luta e resistência que permanecerá vivo na história e na memória de todos que inspirou", afirmou a nota da APPE.
Em abril de 2025, em reportagem do g1 sobre os 61 anos do golpe militar, a professora Marylu Oliveira, pós-doutora em História pela Universidade Federal do Ceará (UFC), relembrou a trajetória de Iracema Santos durante a ditadura militar.
Segundo a pesquisadora, Iracema foi acusada pelos militares de "comunismo e subversão" e passou a ser alvo de perseguição política .
Ainda de acordo com Marylu Oliveira, Iracema chegou a disputar a Prefeitura de Teresina nas décadas de 1950 e 1960 e presidiu a Liga Feminina Trabalhista.
Ela também foi eleita deputada federal em 1970, mas teve o mandato cassado pelo regime militar.
A advogada foi presa e mantida no 25º Batalhão de Caçadores, em Teresina, onde prestou depoimentos aos agentes da ditadura.
Após ser libertada, passou a sofrer restrições impostas pelo regime, incluindo limitações ao convívio com outras pessoas.
"Ela foi conduzida a prestar depoimentos no exército no Dia das Mães, o que criou uma situação muito impactante.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Piauí.