Trump critica eleições 'fraudadas' no Brasil após derrota de Bolsonaro
O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (26) que as eleições no Brasil foram "fraudadas" e "muito corruptas", após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre seu aliado de direita Flávio Bolsonaro.
A derrota de Bolsonaro representa um revés para Trump após um ano e meio de importantes vitórias conservadoras na América Latina.
"Achei terrível", disse Trump a jornalistas ao deixar Washington rumo a um comício de campanha para as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos.
"Eu não tomei partido, mas, francamente, pareceu mais uma eleição fraudada... parecia tão corrupta, tão terrível", afirmou.
Trump questiona sua derrota nas eleições presidenciais de 2020, que classificou como fraudulentas, e tem colocado em dúvida as eleições legislativas de meio de mandato de 3 de novembro nos Estados Unidos, nas quais seu Partido Republicano corre o risco de perder o controle do Congresso.
Aliado da família Bolsonaro, Trump claramente esperava uma vitória de Flávio.
"As eleições precisam ser incontestáveis e, para mim, aquilo pareceu muito ruim", continuou Trump.
No entanto, o presidente americano foi evasivo ao ser questionado sobre a possibilidade de tomar alguma medida em relação ao resultado brasileiro.
"Eu não sou candidato no Brasil, sou candidato nos Estados Unidos", disse o republicano.
"Gosto do Lula, me dou muito bem com ele. Só achei que a forma como os votos foram contabilizados, com a prorrogação, passou uma imagem muito negativa."
A votação acirrada teve um momento dramático quando as urnas estavam prestes a fechar e as campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro pediram uma prorrogação de duas horas.
Enquanto a equipe de Lula alegou problemas de transporte público em algumas cidades, especialmente da Bahia, a de Flávio apontou que fortes chuvas, alagamentos, interdições e falta de energia prejudicaram o deslocamento de eleitores em cidades do Sul e do Sudeste.
A ampliação do horário de votação foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, o que provocou protestos de lado conservador.
Apesar da proximidade com a família Bolsonaro, Trump também demonstrou uma simpatia incomum por Lula, afirmando que, apesar das turbulências nas relações comerciais, ele e o veterano líder de esquerda, ambos de 80 anos, têm "uma química excelente".
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