Governos e empresas tentam corrigir falhas de PHP após milhões de ataques
TÓQUIO/PEQUIM/AMSTERDÃ, 22 Out (Reuters) - Empresas globais e governos correram nesta quinta-feira para corrigir falhas críticas na linguagem de programação PHP, que sustenta grande parte da internet, depois que uma empresa de nuvem relatou milhões de tentativas de invasão após a divulgação das vulnerabilidades.
A ação ocorreu depois que governos na Europa e em outras partes do mundo tiraram sites do ar como medida de precaução na quarta-feira, enquanto os operadores dos sites se apressavam em proteger os sistemas que rodavam o software.
As interrupções de emergência em serviços bancários, aéreos, ferroviários, fiscais e governamentais, de Tóquio a Helsinque, marcam um dos testes mais dramáticos das ferramentas de programação com décadas de existência que mantêm a web funcionando, expondo o quanto governos e empresas dependem de um código que poucas pessoas compreendem.
“Não vejo nada parecido com isso há muito, muito tempo”, disse o presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella, em um evento na Alemanha nesta quinta-feira, afirmando que o incidente mostrou a importância de desenvolver software que possa ser mantido com segurança à medida que os sistemas se tornam mais complexos.
“Foi um longo dia e uma longa noite, eu sei, para toda a equipe de TI e segurança.”
Os desenvolvedores do PHP -- uma linguagem de programação fundamental, assim como o HTML e o Python -- lançaram correções na quarta-feira para vulnerabilidades que estavam ocultas no software há anos até serem descobertas por meio de IA, instando os usuários a “atualizarem imediatamente”.
Madeline Lawrence, cofundadora da empresa belga de segurança cibernética Aikido Security, disse que os detalhes das falhas se tornaram públicos antes que as correções estivessem prontas, com ataques sendo relatados desde então.
“As empresas estão correndo para se atualizar contra invasores que podem usar IA para explorá-las. Essa é toda a corrida”, afirmou.
Enquanto empresas e governos implantavam patches (atualizações de correção de softwares) e suspendiam sites como precaução, as tentativas de hacking chegaram a milhões, de acordo com a empresa de serviços em nuvem Cloudflare.
Empresas japonesas, incluindo a corretora Nomura, o grupo financeiro Mitsubishi UFJ Financial Group, a companhia aérea ANA e a East Japan Railway, informaram nesta quinta-feira que estavam suspendendo temporariamente alguns serviços de internet como parte de medidas de emergência.
A cervejaria Asahi Group Holdings suspendeu temporariamente determinados sites e sistemas e estava realizando uma avaliação de impacto à segurança.
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