A cleptocracia Trump e as terras raras do Brasil
A política externa de uma grande potência nunca foi inteiramente separada de interesses econômicos.
Estados sempre protegeram empresas nacionais, disputaram mercados, buscaram recursos naturais e utilizaram instrumentos financeiros para alcançar objetivos estratégicos.
O que parece estar mudando durante o segundo governo Donald Trump é menos a existência dessa relação do que sua intensidade, visibilidade e forma institucional.
O ouro da Venezuela, a Groenlândia da Dinamarca (uma colonizadora menor canibalizada em tempo recorde) e as terras raras do Brasil revelam, em diferentes dimensões, uma transformação na disputa internacional por recursos estratégicos.
Ao mesmo tempo, segundo informações atribuídas à agencia inteligência brasileira ABIN, o Brasil estaria sofrendo uma influência significativa dos Estados Unidos em seu processo eleitoral, enquanto interesses empresariais associados à família Bolsonaro e à Rockbridge.
A acusação veiculada pela Amado Mundo é de que a Rockbridge Network , fundada por J.D.
Vance e Chris Buskirk, teria atuado em favor da campanha de Flávio, inclusive por meio de pessoas como Tallis Gomes e Pedro Sang.
Tal aproximaria os interesses políticos de candidatos brasileiros especialmente Flavio Bolsonaro, em um contexto no qual também aparecem investimentos e ganhos de integrantes da família Trump relacionados ao setor de terras raras por meio da 1789 Capital e de outras empresas.
O negócio do Jair teria chances de alçar níveis recordes com a amizade nada desinteressada de Flávio e Trump prosperar em lucros pessoais para ambos.
A interpretação apresentada por Anne Applebaum na revista The Atlantic , em setembro de 2026, parte precisamente dessa transformação.
Em vez de uma diplomacia na qual Estado, empresas e interesses privados possuem papéis formalmente distintos, a autora descreve um ambiente em que esses atores podem convergir em torno de redes pessoais, afinidades ideológicas e oportunidades econômicas.
Tarifas, sanções, vistos, negociações diplomáticas, investimentos, plataformas digitais e acesso a autoridades passam, nessa leitura, a integrar uma mesma arquitetura de poder.
Applebaum chama atenção para o fato de que essa não seria simplesmente uma política externa “isolacionista”, mas uma política externa intervencionista de natureza diferente, mais transacional e mais diretamente conectada às redes políticas e econômicas que cercam o movimento MAGA.
Essa é uma interpretação da autora, e não uma descrição consensual entre especialistas; seu valor analítico, contudo, está em oferecer uma chave para observar episódios que, isoladamente, poderiam parecer desconectados.
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