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Economia

Dólar a R$ 6? Morgan Stanley traça cenário negativo sem ajuste fiscal pós-eleições

InfoMoney ·
Dólar a R$ 6? Morgan Stanley traça cenário negativo sem ajuste fiscal pós-eleições

O Morgan Stanley trata a eleição de outubro como uma disputa essencialmente fiscal, e avalia que o mercado subestima os riscos que podem decorrer do pleito.

No seu cenário mais pessimista para 2027, o banco projeta um PIB de apenas 0,2%, Selic em 15,50%, dólar a R$ 6,00 e Ibovespa em 130 mil pontos.

A análise menciona uma corrida apertada entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro, com segundo turno cada vez mais provável e programas econômicos bem diferentes: de um lado, a manutenção do atual arcabouço fiscal e ampliação do papel do Estado, do outro, a expectativa de regras fiscais mais duras, corte de ministérios, privatizações e maior abertura ao comércio exterior.

“O próximo governo não precisará ‘consertar’ as contas fiscais do Brasil imediatamente, em nossa visão, mas sim convencer os mercados de que a trajetória da dívida pode eventualmente se estabilizar”, escrevem os economistas e estrategistas do banco em relatório publicado nesta semana.

No cenário mais pessimista, o vencedor apresenta um plano de corte de gastos tímido, e os investidores entendem que nada muda de fato.

“Acreditamos que crescimento mais fraco, inflação persistente e juros restritivos deixam menos espaço para ambiguidade fiscal e poderiam disparar um ciclo não linear de prêmios de risco mais altos, enfraquecimento do real, corte limitado de juros pelo Banco Central, atividade mais fraca e deterioração da dinâmica da dívida “, afirmam os estrategistas no documento.

Na análise do Morgan, seria uma reação em cadeia difícil de conter, em que cada peça pioraria a seguinte e as expectativas de inflação também se desancorariam.

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Mais de 91% do gasto federal é obrigatório, a carga tributária já subiu 1,5 ponto percentual do PIB desde 2022, as exceções abriram brechas no limite de despesas e o resultado primário atual continua bem abaixo do necessário para estabilizar a dívida bruta.

Ainda assim, o banco pondera que não se trata de um problema imediato de solvência, mas de “um desafio de estabilização da dívida no médio prazo cada vez mais difícil”.

Nas projeções de longo prazo do banco, a dívida bruta só para de crescer no cenário otimista, estacionando perto de 86% do PIB em 2028.

No cenário-base, ela segue subindo.

No pessimista, ultrapassa 100% do PIB em 2033 e chega a 106% no horizonte de dez anos.

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