Sabatina de Lula no JN expõe a agenda (pouco) oculta da Globo para 2026
A sabatina de Lula no Jornal Nacional foi a exposição mais evidente da agenda das Organizações Globo para a disputa presidencial de 2026.
Quase metade da participação do presidente e candidato à reeleição foi ocupada pela difusa temática sobre corrupção.
Iniciou-se com as menções aos vazamentos promovidos contra Fábio Luís da Silva.
A conversa seguiu passando pelo escândalo do INSS, cuja “acusação” ao atual governo foi uma alegada “demora” para agir, quando se sabe que ele passou por praticamente todo o governo Bolsonaro.
Além disso, houve uma associação do caso do Banco Master com Jaques Wagner.
Não é uma novidade.
A cobertura política brasileira em relação a governos do PT, desde o chamado Mensalão, passando pela Lava Jato e chegando aos dias atuais, tem se especializado em um tipo de jornalismo que vive de vazamentos seletivos, pré-julgamentos e a inversão da presunção de inocência, em um ímpeto punitivista que transforma sobra de indício em prova irrefutável.
Não deixa de ser didático, nesse aspecto, ver uma série documental produzida pelo próprio grupo Globo, “Caçador de Marajás”.
Ainda que o papel da própria emissora na consolidação do presidenciável Fernando Collor não seja retratado da forma devida, ali se disseca um jornalismo investigativo que não se baseava de forma exclusiva em informações passadas pelas forças policiais ou pelo Ministério Público.
Na maior parte do tempo do processo que culminou na queda do então presidente, deu-se o contrário: era a imprensa que conseguia trazer à tona fatos que depois passavam a ser investigados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.
Hoje, o modelo da Globo e da mídia corporativa é de assistente de acusação no âmbito político, preparando um ambiente inquisitorial que assassina reputações e favorece, em geral, sempre um lado.
Sabendo que uma sabatina no Jornal Nacional pauta o debate da opinião pública e as redes sociais, o Jornal Nacional, leia-se o grupo empresarial, escolheu que corrupção seria a pauta, reforçando o estigma que ajudou a construir para Lula.
É um tema que, trabalhado da forma que foi, ajuda a impedir uma eventual vitória de Lula no primeiro turno.
Mas também tem um outro efeito ao turbinar candidaturas ao Legislativo que têm nesse mote o seu lema.
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