Todo mundo já usa IA. O que acontece agora?
As pessoas amam IA, as pessoas odeiam IA, as pessoas amam odiar IA. Metade do que leio semanalmente para escrever por aqui diz respeito a esse debate meio clubista sobre inteligência artificial e seus problemas versus seus ganhos, seu potencial apocalíptico contra seu potencial salvador, a rejeição existencial de alguns tantos frente a reverência religiosa de muitos.
Às vezes, fico com a sensação de que essa é uma discussão que flutua exclusivamente nos círculos de tecnologia, mídia e negócios sem aterrissar, ao passo que as pessoas, de forma geral, seguem vivendo suas vidas, sofrendo com o trânsito, escovando os dentes e adotando novos recursos tecnológicos à medida que lhes convém. E usar IA já convém a muita gente.
Porque na mesma semana em que saíram alguns artigos afirmando que há um tanto de revolta nos cidadãos americanos e li Paul Krugman afirmando que "todo mundo" odeia IA , também li uma nota do presidente do Google anunciando que o Gemini ultrapassou 1 bilhão de usuários ativos mensais e, na esteira disso, a notícia de que o ChatGPT também ultrapassou a marca há algumas semanas. Foi preciso menos de três anos para que esses produtos atingissem essa marca. As pessoas podem até não gostar, ter medo e estarem assustadas com todo efeito que isso possa vir a ter, mas ainda assim estão usando, muito, seus chatbots. E o Brasil está entre os mercados que lideram a adoção desses assistentes.
Para efeito de comparação, estima-se que existam 1,5 bilhão de carros em circulação no mundo e 1,8 bilhão de lares com televisores. Levou algumas décadas para que esses produtos chegassem a esse patamar de uso. Minha comparação não é um paralelo de utilidade e nem leva em conta processos fabris, custo etc., mas para chegar a um ponto que me parece importante aqui: a inteligência artificial já é uma tecnologia normalizada do ponto de vista de consumo, o que consolida essas ferramentas em um patamar bastante avançado de adoção.
Adoção, vale lembrar, não é difusão. Tem muita gente acessando e usando esses serviços, mas a difusão que consolida o uso leva tempo. Os chatbots que se popularizaram acabaram se tornando a interface pela qual as pessoas identificam a inteligência artificial e consomem os modelos de linguagem que os alimentam (para completar a lista, além de Gemini e ChatGPT, dá para somar Claude, Grok, MetaAI, DeepSeek, Qwen e Kimi). Modelos esses que, aplicados em outras circunstâncias, também são usados em tantas outras finalidades, sem necessariamente uma interface de conversação.
Assumindo que a pergunta deixou de ser "se" estamos usando IA no dia a dia, talvez seja útil pensarmos em "como" estamos fazendo isso e "para quê". Um artigo recente publicado pela Harvard Business Review levantou os principais usos de IA, comparando, em um ranking, com o ano anterior. Em primeiro lugar, pelo segundo ano seguido, "Terapia/companhia". Em segundo lugar, "resolução de problemas". Em terceiro, "diversão e nonsense". E por aí a coisa segue.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Tilt.