'Elo mais fraco determina a força da cadeia inteira': especialistas discutem riscos do setor financeiro na era da IA
Uma das maiores vulnerabilidades do sistema financeiro saiu de dentro das instituições e passou para os terceiros que as atendem.
Foi o diagnóstico de um painel de especialistas no Febraban Tech 2026, nesta segunda-feira (24), em São Paulo, resumido pelo mediador da mesa e diretor de serviços e segurança da federação de bancos, Raphael Mielle Trintinalia, na ideia de que o elo mais fraco da cadeia determina a força dela inteira.
O alerta ganhou concretude na lembrança da fraude cibernética que atingiu o sistema financeiro em meados do ano passado.
Segundo Caio Moreira Fernandes, chefe do Departamento de Tecnologia da Informação (Deinf) do Banco Central, o ataque teve como alvo não os clientes, mas a própria instituição financeira, e levou o regulador a mudar as regras para reforçar a segurança em torno dos provedores de tecnologia.
Alexandre Tim Vieira, gerente-executivo em segurança cibernética do Banrisul, contou que os criminosos exploraram a vulnerabilidade de uma prestadora de serviço, e observou que o porte do banco não muda a exposição.
"Um criminoso não distingue bancos regionais, nacionais ou multinacionais", disse.
Para José Pela Neto, sócio-líder de cibersegurança da Deloitte, a complexidade dos terceiros só cresce, e boa parte do setor passou a depender de um mesmo grupo de grandes provedores de tecnologia e de nuvem.
O risco, ponderou, também é de reputação: quando há um incidente, pouco importa para o cliente se a falha partiu de um fornecedor.
"Você não pode queimar a carta duas, três vezes", afirmou.
Ele defendeu que as empresas escolham parceiros pelo alinhamento em controles de risco, e não apenas pelo menor preço.
Kelly Nascimento, diretora de dados e análise da NTT Data Brasil, avaliou que a concentração de fornecedores é menos um risco em si do que a falta de respostas para o que acontece em caso de falha.
Para ela, depender de poucos provedores trouxe ganhos ao setor, mas deslocou a pergunta que de fato importa: não basta saber que se depende de um fornecedor, é preciso saber do que exatamente se depende e o que há do outro lado.
"Não é só sobre a dependência, mas do que é que eu dependo", disse.
O representante do Banco Central resumiu o ponto ao afirmar que a contratação de serviços precisa dar mais peso ao risco que aquele terceiro inclui na cadeia do que o custo, simplesmente.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.