Pix ampliou inclusão financeira, mas falta de internet ainda deixa brasileiros de fora
O Pix praticamente universalizou o acesso aos pagamentos digitais no Brasil, mas a inclusão financeira proporcionada pela ferramenta ainda esbarra em uma barreira anterior: a inclusão digital.
Falta de conexão, custo dos pacotes de dados, aparelhos inadequados e dificuldade para lidar com a tecnologia podem impedir que parte da população aproveite plenamente os serviços financeiros digitais.
A avaliação foi feita durante o painel “Pix, cartões e além: a nova arquitetura competitiva dos meios de pagamento”, realizado no Febraban Tech.
Para Lauro Gonzalez, professor da FGV, o debate sobre inclusão financeira precisa avançar do simples acesso para outras duas dimensões: o uso e, principalmente, a qualidade dos serviços oferecidos.
Segundo Gonzalez, o acesso ao Pix já está próximo da universalização, embora ainda existam pequenos bolsões do país com adesão menor.
As diferenças aparecem com mais clareza na maneira como a ferramenta é utilizada.
Nas regiões Norte e Nordeste, o número médio de transações supera 40 por usuário, enquanto no Sul fica abaixo de 30.
No Amazonas, chega a 48 operações mensais por usuário.
O professor observa que a frequência maior de utilização justamente nas regiões de menor renda mostra como a tecnologia foi incorporada à realidade financeira da população.
Em pesquisas recentes com beneficiários do Bolsa Família, contou, surgiu até uma mudança de linguagem: em vez de dizer que pretendem abrir uma conta, algumas pessoas afirmam que vão “abrir um Pix”.
Inclusão financeira depende de inclusão digital O avanço, porém, não elimina as diferenças no acesso à própria tecnologia.
Maurício Santos, especialista em tecnologia e sistemas digitais para mercado financeiro, destacou que o celular se tornou o principal meio de acesso aos serviços bancários, mas parte da população ainda chega ao fim do mês sem conexão disponível.
Além da cobertura em regiões mais distantes, há uma questão de renda: não basta a rede estar disponível se o consumidor não consegue pagar pelo serviço.
Gonzalez lembrou que a exclusão digital já impediu inclusive o acesso a políticas públicas.
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