Não é apenas uma eleição: é uma escolha sobre o Brasil que queremos
A menos de duas semanas do primeiro turno, o Brasil precisa olhar para além da disputa de imagens, das frases ensaiadas e das oscilações das pesquisas.
Em 4 de outubro, estará em jogo muito mais do que a escolha de quem ocupará o Palácio do Planalto.
O voto definirá a direção do país, as prioridades do Estado e as condições em que continuaremos a disputar nosso futuro.
A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro exige esse olhar.
Há diferenças de programa econômico, de compromisso social e de relação com as instituições que a linguagem aparentemente neutra da “alternância de poder” não pode esconder.
A alternância é uma virtude democrática quando os concorrentes reconhecem que o poder é temporário, a oposição é legítima e a derrota eleitoral deve ser respeitada.
O problema começa quando um movimento pretende usufruir dessas garantias sem oferecer aos demais a mesma segurança.
A democracia também está na mesa Para quem enfrenta dificuldades para pagar as contas, falar em instituições pode parecer distante.
Mas a democracia tem consequências materiais.
É nela que trabalhadores podem se organizar, cobrar salários, denunciar abusos e disputar o orçamento público.
É nela que a população pode exigir atendimento, contestar decisões e pressionar governos sem ser tratada como inimiga.
A liberdade política não resolve, sozinha, a desigualdade.
Mas seu enfraquecimento reduz a capacidade de enfrentá-la.
Quem depende dos serviços públicos, do salário e da proteção social tem muito a perder quando a força substitui a negociação e quando a reivindicação passa a ser tratada como ameaça à ordem.
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