Maior consumo de arroz e feijão está associado a 44% menos insuficiências nutricionais, aponta estudo
Pessoas que seguem dietas com maior participação de arroz e feijão apresentaram 44,49% menos insuficiências nutricionais do que aquelas com menor consumo da combinação. Esse dado faz parte de um publicado em 2026 na revista científica Public Health Nutrition , com participação de pesquisadores da USP e da Universidade de Auckland , e ajuda a questionar a retirada indiscriminada de carboidratos da alimentação, especialmente de preparações tradicionais brasileiras.
O estudo analisou dados de consumo alimentar de 46.164 brasileiros com 10 anos ou mais, coletados pela Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017-2018. Além da redução das insuficiências nutricionais, o maior consumo combinado de arroz e feijão esteve associado a uma dieta com custo total 38,03% menor, pegada de carbono 17,64% mais baixa e redução de 21,05% na pegada hídrica.
Para a nutricionista Dra. Aline Maldonado , consultada por Meu Biju para esclarecer o tema, classificar todos os carboidratos como prejudiciais desconsidera diferenças importantes entre os alimentos e o papel que desempenham na dieta.
"O carboidrato é uma das principais fontes de energia para o organismo e está presente em alimentos com composições muito distintas. Não é adequado avaliar da mesma forma o arroz, as frutas, os tubérculos e os produtos ultraprocessados ricos em açúcares, gorduras e aditivos. Para a maioria das pessoas, não há necessidade de excluir esse nutriente, mas de observar sua origem, a quantidade consumida e a composição da alimentação como um todo", explica.
Essa avaliação está alinhada à diretriz da Organização Mundial da Saúde sobre a ingestão de carboidratos. O documento não recomenda a eliminação desse grupo alimentar, mas orienta que os carboidratos venham prioritariamente de grãos integrais, hortaliças, frutas e leguminosas, com atenção especial ao consumo de fibras.
No Brasil, o Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda que a base da alimentação seja formada por alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias, como arroz e feijão, em vez de produtos ultraprocessados.
A principal diferença entre o arroz branco e o integral está no grau de processamento. O integral preserva as camadas externas do grão e, por isso, apresenta maior quantidade de fibras e alguns micronutrientes. O branco passa pelo polimento e apresenta menos fibras, mas permanece como fonte de energia e pode integrar uma alimentação equilibrada.
"O arroz integral pode contribuir para ampliar o consumo de fibras, mas isso não transforma o arroz branco em uma escolha inadequada. Quando consumido com feijão, verduras, legumes e uma fonte de proteína, ele compõe uma refeição nutricionalmente diversificada. A escolha também deve considerar a aceitação, o hábito cultural, a disponibilidade e a tolerância individual", afirma Aline.
A nutricionista ressalta que dietas com restrição de carboidratos podem ser indicadas em situações específicas, desde que adotadas com acompanhamento profissional. "Retirar um alimento cotidiano sem avaliar o restante da dieta pode reduzir a variedade e levar à substituição por opções menos interessantes.
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