Um crânio de apenas 1,5 centímetro obrigou cientistas a rever a origem de lagartos e serpentes porque o animal não tinha estruturas consideradas básicas para o grupo
Tomografias microscópicas revelaram um réptil do Triássico com uma combinação anatômica inesperada na origem dos lepidossauros
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Um fóssil minúsculo encontrado no sudoeste da Inglaterra alterou expectativas sobre os primeiros parentes de lagartos, serpentes e tuataras. Agriodontosaurus tinha um crânio de apenas cerca de 1,4 a 1,5 centímetro e viveu há mais de 241 milhões de anos. Tomografias de resolução microscópica revelaram uma combinação inesperada de características, mostrando que várias adaptações consideradas ancestrais dos lepidossauros provavelmente surgiram mais tarde e de maneira independente.
Agriodontosaurus helsbypetrae veio da Formação Helsby Sandstone, perto de Sidmouth, em Devon. O depósito pertence ao Triássico Médio, entre aproximadamente 245 e 241 milhões de anos, tornando o animal atualmente o mais antigo membro confirmado de Lepidosauria, grupo que inclui lagartos, serpentes e rincocéfalos.
As análises também o colocaram entre os rincocéfalos, linhagem hoje representada apenas pelas tuataras da Nova Zelândia. Sua idade estabelece um novo limite mínimo para a origem do grupo e mostra que a separação das principais linhagens de lepidossauros já havia ocorrido relativamente cedo depois da extinção em massa do fim do Permiano.
O esqueleto estava parcialmente preservado dentro da rocha, tornando impossível estudar diversos elementos apenas olhando sua superfície. Primeiro foram feitas tomografias convencionais; depois, os pesquisadores utilizaram fontes de raios X síncrotron capazes de gerar imagens muito mais detalhadas sem destruir o fóssil.
As reconstruções do crânio chegaram a uma resolução de aproximadamente 6 micrômetros por voxel. Isso permitiu visualizar dentes, ossos do palato e contatos entre estruturas cranianas praticamente invisíveis externamente. O comprimento reconstruído do crânio ficou em cerca de 14 milímetros.
Este vídeo do Museu de História Natural da Universidade de Michigan apresenta a tuatara, único representante vivo dos rincocéfalos:
Os pesquisadores esperavam encontrar algumas características consideradas típicas da anatomia ancestral dos lepidossauros. Entre elas estavam dentes no teto da boca, mobilidade entre partes do crânio e uma abertura lateral resultante da ausência da barra temporal inferior.
Agriodontosaurus possuía apenas a última dessas condições de maneira clara. Não apresentava dentes no palato e seu crânio era essencialmente rígido, sem a cinese craniana característica de muitos lagartos e serpentes modernos. Isso indica que várias adaptações podem ter evoluído separadamente dentro das principais linhagens.
Apesar do tamanho reduzido, o animal tinha dentes anteriores proporcionalmente grandes, cônicos e pontiagudos. A mandíbula e os locais de fixação dos músculos indicam capacidade para produzir uma mordida relativamente forte, adequada para segurar presas resistentes.
Os autores interpretaram essa anatomia como adaptação para capturar grandes insetos e perfurar seus exoesqueletos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.