Show do BTS faz pessoas perderem exames e horário do trabalho 12 horas antes de começar
A onda da cultura coreana no Brasil por meio de k-pop, k-drama e gastronomia. Assinada por Nathalia Durval
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O show do BTS nesta quarta-feira (28) começa às 20h, mas, desde as 8h, já causa transtornos no trânsito a quilômetros do estádio Morumbis, na zona oeste de São Paulo, onde será realizado.
A apresentação do maior grupo do k-pop , que vai atrair cerca de 80 mil pessoas por dia, tem um esquema inédito para um show solo de um artista —ruas no entorno do estádio foram bloqueadas a partir das 8h e só entra no local quem tem ingresso e moradores cadastrados. Os portões abrem às 16h.
O objetivo é evitar que fãs sem entradas se aglomerem do lado de fora do estádio durante o show, algo observado em outras paradas do grupo pela América do Sul.
O bloqueio afetou as principais vias ao redor, como as avenidas Giovanni Gronchi, Jules Rimet e Jorge João Saad, parcialmente fechadas, além da Francisco Morato. O trânsito nesta última já começava desde a rodovia Régis Bittencourt, em Taboão da Serra, a 6 km do estádio.
Ônibus ficaram parados no trânsito, desligando os motores, e passageiros decidiram descer e fazer o trajeto andando. Muitos estavam atrasados para o trabalho, exames médicos e outros compromissos.
O clima geral no transporte público e nas ruas era de revolta. "É um descaso com o trabalhador", comentou uma passageira que pagou uma condução a mais para tentar chegar ao trabalho.
A analista de recursos humanos Mariana Visotto, 37, pegou um ônibus intermunicipal às 7h40 a 8 km do estádio e às 9h20 ainda estava a 4 km do local. Ela entra no trabalho às 9h, no Butantã, e diz que a chefe deve reclamar do atraso. "Tenho que tirar foto e vídeo para provar que estava no trânsito. Estava falando com a minha chefe no telefone enquanto falava com o motorista para provar a situação", conta.
A jovem aprendiz Beatriz Souza, 19, também moradora de Taboão da Serra, tinha um exame admissional para o novo emprego marcado às 9h, próximo à estação São Paulo-Morumbi do metrô. Ela pegou ônibus às 6h50. "Não sei o que vai acontecer se eu chegar lá depois", ela diz, e completa que é raro ver tanto trânsito no dia a dia no mesmo trajeto.
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