Unilever prevê alta de preços com avanço dos custos da guerra no Irã
Londres | Reuters A Unilever espera que os reajustes de preços aumentem no quarto trimestre e no próximo ano, afirmou a empresa nesta quarta-feira (28), alinhando-se a outras fabricantes de bens de consumo que anunciaram que repassarão aos clientes a alta dos custos ligada à guerra com o Irã .
Grandes empresas , como Coca-Cola, Procter & Gamble, Nestlé e Reckitt, alertaram para o risco de novos aumentos de preços no próximo ano para compensar os efeitos da guerra entre Estados Unidos , Israel e Irã, iniciada no fim de fevereiro.
Todas essas companhias elevaram fortemente os preços durante a pandemia de Covid-19 e nos primeiros meses da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia. Desde então, passaram anos tentando reconquistar consumidores que se afastaram de suas marcas e migraram para produtos mais baratos de marcas próprias do varejo. Agora, enfrentam a perspectiva de ter de aumentar os preços novamente para proteger as margens dos acionistas.
"Definitivamente, esperamos que os reajustes de preços em 2027 sejam maiores do que a média de 2026", afirmou o presidente-executivo da Unilever, Fernando Fernandez. "Agora que temos mais clareza sobre o cenário de custos, estamos acelerando os reajustes."
"Vamos garantir um bom equilíbrio entre volume e preços em tudo o que fizermos, tanto no curto quanto no médio prazo", acrescentou.
A Unilever, cujas inovações e foco em marketing ajudaram a recuperar a demanda após a pandemia, conseguiu neste ano repassar aos consumidores parte do aumento dos custos de commodities sem prejudicar os volumes de vendas.
"Considerando a combinação que vimos entre preços e volumes, os aumentos de preços não me preocupam", afirmou Jack Martin, gestor de portfólio da Oberon Investments, acionista da Unilever.
"A capacidade de repassar custos inflacionários aos clientes sem afetar excessivamente os volumes é o que se espera de uma empresa de bens de consumo essenciais bem administrada."
As ações da Unilever caíram 3,4% nesta quarta-feira (28), após a empresa também informar que o crescimento do volume de vendas desacelerou no terceiro trimestre em relação ao segundo, pressionado pelo negócio de alimentos.
Fabricante do sabonete Dove, dos produtos de limpeza Cif e da maionese Hellmann's, a Unilever vem simplificando seu portfólio sob o comando de Fernandez para priorizar os segmentos de beleza e cuidados pessoais, em detrimento de sua divisão de alimentos, que cresce mais lentamente. No início deste ano, Fernandez concordou em separar o negócio de alimentos da Unilever e combiná-lo com a fabricante americana de temperos McCormick.
"A realidade é que a Unilever —e, por extensão, seus acionistas— ainda detém um negócio de alimentos que prejudica o desempenho do grupo", afirmou James Edwardes Jones, analista do RBC.
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