'Dizer que mercado aceitou Fonteles é forçar a tinta', diz gestor
Editado por Stéfanie Rigamonti, espaço cobre os bastidores da economia e de negócios. Com Luana Franzão e Maria Clara Guilherme
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A Faria Lima não está tão animada com Rafael Fonteles , governador reeleito do Piauí, como um dos principais cotados para o Ministério da Fazenda . Segundo o gestor Sérgio Machado, sócio da MAG Investimentos, dizer que o mercado aceitou o nome "é um chute".
"Se alguém disser que o nome foi bem aceito no mercado está forçando a tinta", disse à coluna. Segundo Machado, mais importante do que definir quem comandará o Ministério da Fazenda agora, é observar as declarações do presidente Lula para o fiscal.
As falas corroboram o que disseram à coluna outros gestores que preferiram não se identificar. O Painel S.A. conversou com sete grandes executivos que fazem a gestão de patrimônios na Faria Lima. Eles disseram que, apesar de Fonteles ter um bom currículo, o mercado no geral não conhecia o nome.
Os comentários foram de: "não é um nome ruim" a "parece uma boa opção". Mas parou por aí. As incertezas ainda são grandes.
Primeiro porque, slguns gestores estão incrédulos com a ideia de que o governador, que tem boa popularidade, sendo reeleito no primeiro turno com 71%, vá sair do cargo para assumir uma pasta problemática para a sua imagem, já que ele terá a missão de adotar medidas impopulares para ajustar as contas públicas e conter o crescimento explosivo da dívida pública.
Além disso, como disseram dois gestores à coluna, é preciso ver se o novo ministro da Fazenda terá liberdade técnica para organizar as contas públicas, ou se terá seu trabalho cerceado pela ala política do governo Lula. Um deles lembrou que o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad , também foi uma indicação bem vista pela Faria Lima, mas com o tempo o mercado percebeu interferências políticas em seu trabalho.
Na última terça (27), o responsável pela articulação política do presidente Lula, José Guimarães , que é ministro da Secretaria de Relações Institucionais, afirmou à imprensa que um pacote de ajuste fiscal não é prioridade até o fim do ano e não está sendo discutido pelo governo. O mercado, porém, cobra urgência na apresentação de medidas fiscais que contenham o crescimento explosivo da dívida pública para acalmar os ânimos, depois de a Bolsa derreter um dia depois da reeleição do petista .
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