Projeto Chrysalis: cientistas projetam nave de 58 km para humanos viajarem 400 anos no espaço profundo
O Project Hyperion é um concurso internacional de design e estudo científico que desafia equipes do mundo inteiro a projetar naves geracionais autossustentáveis com o objetivo de explorar a viabilidade de viagens interestelares tripuladas usando tecnologias atuais ou viáveis em um futuro próximo.
Em 2025, a competição, promovida pela Initiative for Interstellar Studies (i4is), premiou a equipe responsável pelo design do projeto Chrysalis , formada pelos cientistas Guido Sbrogio, Giacomo Infelise, Veronica Magli, Nevenka Martinello e Federica Chiara Serpe.
A nave que levou o prêmio de melhor design da competição foi projetada como uma estrutura cilíndrica de 58 quilômetros de comprimento e 6 quilômetros de diâmetro, com massa estimada em cerca de 2,4 bilhões de toneladas, pensada para transportar até aproximadamente 2.400 pessoas pelo espaço e sobreviver de maneira autônoma.
Nave Chrysalis – demonstração gráfica.
Créditos: divulgação Para efeitos de comparação, a Estação Espacial Internacional (ISS), o maior complexo habitado já construído em órbita, tem cerca de 420 toneladas e aproximadamente 109 metros de extensão estrutural (é uma diferença de 5,7 milhões de vezes em massa estimada).
O regulamento de referência do concurso estabelecia uma viagem de 250 anos e uma população de aproximadamente 1.000 pessoas, e exigia soluções para gravidade artificial, abrigo, alimentação, água, resíduos, atmosfera, sociedade e transmissão de conhecimento entre gerações.
A ideia é que a tripulação original viva, se reproduza e morra durante a viagem, enquanto seus descendentes continuam a missão até o destino, pelo total estimado de 400 anos.
O destino imaginado é Proxima Centauri b, um exoplaneta rochoso descoberto em 2016 e localizado na constelação de Centauro, que orbita a Proxima Centauri, estrela mais próxima do Sistema Solar.
E, apesar da aparente proximidade, Proxima Centauri ainda fica a aproximadamente 4,24 anos-luz da Terra.
Para uma nave cobrir essa distância em cerca de 400 anos, a velocidade média durante o deslocamento interestelar teria de ser da ordem de 1% da velocidade da luz, ou aproximadamente 3.200 quilômetros por segundo.
A proposta prevê um sistema de propulsão por fusão, utilizando deutério e hélio-3, como os que vêm sendo estudados há décadas pela NASA de forma experimental.
No caso da nave vencedora, a Chrysalis seria formada por módulos cilíndricos concêntricos organizados em torno de um eixo central, a fim de produzir gravidade artificial.
As áreas de produção de alimentos, necessárias para que a nave seja autossustentável durante tantos anos, abrigariam plantas, fungos, microrganismos, insetos e animais, além de diferentes ecossistemas.
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