Brasil pode ter terremotos como os recentes no Peru, Colômbia e Venezuela?
Um terremoto de magnitude 7,2 atingiu hoje a região de Ayacucho , no Peru, e a sequência de tremores fortes na América do Sul levanta a dúvida: o Brasil pode passar por algo parecido?
Terremoto no Peru ocorreu por volta das 13h (15h em Brasília) e teve epicentro na região de Ayacucho. O Instituto Geofísico do Peru (IGP) informou que o tremor aconteceu a 35 km ao norte de Coracora, capital da província de Parinacochas, a 108 km de profundidade.
Até a última atualização, não havia registro de mortos ou feridos, e as autoridades descartaram risco de tsunami. A DHN (Diretoria de Hidrografia e Navegação) da Marinha do Peru informou que não havia alerta, enquanto o chefe do IGP, Hernando Tavera, disse que moradores saíram de casa assustados em várias regiões.
Órgãos internacionais também registraram o tremor, com diferença na magnitude e na profundidade. O USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos) reportou o evento como magnitude 6,7 e estimou profundidade de 66,7 km, e o EMSC (Centro Sismológico Europeu-Mediterrâneo) recebeu relatos de que o abalo foi sentido em Lima, além de La Paz (Bolívia) e Arica (Chile).
Peru está no Anel de Fogo do Pacífico, uma faixa de intensa atividade tectônica. A localização faz com que terremotos sejam frequentes no país, e um tremor no centro do Peru, pouco mais de um mês antes, deixou seis mortos e 32 feridos, segundo as autoridades.
O Brasil registra terremotos, mas costuma ter tremores menos intensos por estar no interior da Placa Sul-Americana. Mesmo assim, abalos sentidos no país podem ser reflexo de terremotos com epicentro em países vizinhos ou de falhas associadas ao desgaste da placa.
Já houve tremores acima de 5,0 no Brasil, e o maior registrado chegou a 6,6 em 1955, em Mato Grosso. O epicentro foi na Serra do Tombador, a 370 km de Cuiabá, e não houve mortes porque a área era pouco habitada.
Um dos maiores registros recentes ocorreu no Acre, em 2022, com magnitude 6,5, sem danos e sem ser sentido em cidades próximas. O epicentro ficou a mais de 100 km de municípios como Tarauacá e Feijó, na fronteira com o Peru.
Estimativa do Serviço Geológico do Brasil aponta que tremores acima de 7,0 podem ocorrer, mas em intervalos muito longos. A avaliação é de que um evento desse porte aconteceria, em média, uma vez a cada 500 anos.
Antes do abalo no Peru, a região teve terremotos fortes na Colômbia e na Venezuela. No início de agosto, um tremor de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia, e, em junho, dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela.
Terremoto na Colômbia foi sentido no Brasil, em Manaus, a quase 2.000 km do epicentro. A Defesa Civil informou que o Edifício Palácio do Comércio, no centro, foi esvaziado por segurança, e vistorias se concentraram em bairros como Adrianópolis, Aleixo e o centro.
Na Colômbia, o tremor teve epicentro em San José del Palmar, a cerca de 400 km de Bogotá, e ocorreu a 107 km de profundidade.
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