O filho do pai e o pai do filho (por Mary Zaidan)
Investigar indícios de crimes contra a administração pública é obrigação do Estado, independentemente de quem seja o suspeito.
Deveria ser assim para qualquer um – excelências eleitas ou nomeadas, autoridades de diferentes escalões, seus parentes e amigos.
A regra, portanto, tem de valer para Fábio Luís, primogênito do presidente Lula, e também para o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex.
Isso posto, seria conveniente calibrar a balança e esmiuçar com mais apuro os sacos de denúncias e vazamentos, que, em períodos eleitorais, costumam, propositalmente, misturar bugalhos aos alhos.
As incorreções nos pesos e medidas começam na abordagem de diferentes como iguais.
Supostos delitos de Lulinha são investigados e computados como se fossem crimes do presidente Lula.
Na outra ponta, as diligências contra Flávio, que depois de negar teve de admitir que havia pedido R$ 61 milhões ao ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, andam devagar.
Tão lentas que mesmo sem dar qualquer explicação sobre a dinheirama, o candidato decretou o seu fim: “Dark Horse é página virada”.
Sobre Lulinha pesam três investigações por suposto tráfico de influência em prol da lobista Roberta Luchsinger, que estaria atrás de contratos com o Ministério da Saúde para fornecimento, sem licitação, de medicamentos à base de canabidiol.
A encrenca envolve ainda o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
Os inquéritos correm sob sigilo na Polícia Federal, incapaz de guardar qualquer segredo.
Durante a semana passada, pulularam na imprensa diálogos vazados entre os três, cada um tratado como prova definitiva.
Na maioria das vezes, esquecendo-se até o nome da lobista para dar eco ao fato de ela ser “amiga de Lulinha”.
Há indícios fortíssimos de que o filho de Lula tenha sido beneficiado, mas, tira dali põe aqui, de concreto sabe-se que o tal contrato com o governo não foi fechado.
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