‘Palestinas são vozes incontestes dos movimentos anticoloniais’, afirma nova presidente da Fepal
Desde a segunda semana de agosto, a Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) passou a ter uma mulher na presidência, pela primeira vez em sua história. Se trata de Fátima Ali, descendente de imigrantes palestinos que deixaram a Cisjordânia, nasceu no Rio Grande do Sul e considerada uma das pioneiras na organização da juventude e das mulheres palestinas no Brasil.
Ali assume o cargo em decorrência do afastamento temporário de Ualid Rabah para disputar as eleições de 2026, ele concorre ao cargo de deputado federal pelo estado do Paraná.
A Opera Mundi , a nova presidente da Fepal recorda sua trajetória e engajamento nas causas da comunidade palestina no Brasil, enfatizando a “responsabilidade de preservação da identidade, solidariedade e compromisso com a justiça”. “Sempre vivemos organizados nas comunidades, este foi um dos tantos legados que nos foi deixado pelos primeiros palestinos que aqui chegaram”.
Segundo Ali, é um desafio de ser a primeira mulher a comandar a entidade que representa a comunidade palestina no Brasil, e sobre o papel das mulheres na luta pela causa.
“As mulheres palestinas desempenham papel central no movimento, na preservação da memória, da cultura, das famílias e da identidade diante de décadas de violência e deslocamento contra o nosso povo. Precisamos destacar a força dessas mulheres cujas vidas são de luta contínua por justiça e liberdade, portanto são pilares da resistência”, disse.
Opera Mundi: como foi sua chegada à presidência da Fepal e o que significa ser a primeira mulher a comandar a entidade?
Fátima Ali: é o resultado de uma estratégia política de organização da participação feminina. A direção eleita no 10º Congresso, realizado em 2019, teve quase 40% de seus cargos ocupados por mulheres, eu estava na vice-presidência. A composição foi praticamente reproduzida na direção eleita no 11º Congresso, em 2024, congresso com a maior participação de delegadas mulheres na história da Fepal.
Importante destacar que as mulheres palestinas têm sido vozes incontestes dos movimentos anticoloniais ao longo da nossa história. A Nakba faz parte da vida do povo palestino, as mulheres, geração após geração, compõem o movimento, preservam nossa memória e nossa identidade. Nossa força e engenhosidade feminina nos tornam agentes de transformação e da resistência, mesmo diante das narrativas preconceituosas, das tentativas de silenciamento e da cegueira do mundo.
Chegar na presidência da Fepal é, portanto, o resultado construído pelo coletivo de que nos manteremos firmes contra o sistema que, diariamente, submete o povo palestino à segregação, ao genocídio e a privação de direitos humanos.
Seu pai migrou para o Brasil em razão da invasão sionista em Nablus, na Cisjordânia. Como foi esse processo?
A primeira migração para o Brasil ocorreu no início do século 20, sendo a maioria cristã.
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