Briga da Europa para 'retomar' Fifa de Infantino pode afetar Mundial e Copa
Desencadeada pela tentativa de 'venda da Copa', a briga política dentro da Fifa tornou-se também um caminho para a Europa retomar o poder dentro da entidade. E a definição do vencedor da disputa pode ter consequências sobre o Mundial de Clubes e a Copa do Mundo.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, articulou um plano secreto para vender uma fatia da Copa para investidores. O negócio se tornou público e gerou uma reação de dirigentes de confederações continentais e federações nacionais.
A principal oposição vem da UEFA, com seu presidente Aleksander Ceferin, e da Concacaf (Confederação da América Central, Norte e Caribe). A AFC (Ásia) se juntou às outras duas. Mas há dissidências entre as federações destes continentes.
A Europa não tem domínio total sobre a Fifa desde 1974 com a eleição de João Havelange e a saída de Stanley Rous. A eleição do brasileiro foi construída com apoio africano e da América do Sul.
A UEFA perdeu eleição depois quando seu presidente Lennart Johansson disputou contra o suíço Joseph Blatter, sucessor de Havelange, em 1998.
E voltou ao poder só com Gianni Infantino, ex-secretário da UEFA, em 2015. Sua candidatura foi patrocinada por europeus.
Só que, durante sua gestão, ele se aproximou mais de dirigentes do Oriente Médio (Qatar e Arábia Saudita), África e EUA, com sua aliança com Trump. Já era inimigo da UEFA há alguns anos.
Isso se acentuou quando Infantino invadiu a área de Ceferin - as competições de clubes - ao patrocinar o Mundial de Clubes de 32 times, com dinheiro saudita. Era um concorrente claro à Liga dos Campeões.
Mas a revolta europeia explodiu mesmo com o caso Balogun - jogador norte-americano que estava suspenso, mas jogou por influência de Trump - e principalmente a tentativa de vender parte dos direitos da Copa a investidores por meio de uma empresa.
Após seguidas notas de repúdio, a UEFA e a Concacaf se moveram para tentar derrubar Infantino por meio do Conselho da Fifa, com 37 membros. Não deu certo.
O presidente da Fifa armou uma aliança com confederações africanas, com a Conmebol e com dissidências da Ásia e Concacaf. E se fortaleceu internamente ao recuperar o apoio de seus executivos mais próximos. Evitou a primeira tentativa de tirá-lo.
A UEFA não desistiu, ameaça com boicotes a competições nos bastidores. Mas, de forma contraditória, o Mundial sub-20 Feminino da Polônia, ao que tudo indica, terá ampla participação de times europeus. Todos confirmaram até agora.
O estatuto da Fifa, teoricamente, permite a convocação de uma assembleia para discutir o presidente com apoio de 43 federações nacionais, de um total de 211.
Os opositores têm os números. Mas o processo demoraria e já em novembro podem ser inscritas candidaturas para a nova eleição presidente. O pleito será em 2027. O resultado deve gerar impacto tanto na Copa do Mundo quanto no Mundial de Clubes.
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