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Pivô de crise, Vorcaro está 'revoltado' e prepara pedido de soltura ao STF

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Pivô de crise, Vorcaro está 'revoltado' e prepara pedido de soltura ao STF

Daniel Vorcaro tem demonstrado "revolta" e "indignação" com a prisão, segundo interlocutores que conversaram com o fundador do Banco Master recentemente.

Ele está preso de maneira preventiva há mais de seis meses por ordem do ministro André Mendonça e tornou-se o pivô da crise deflagrada no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesta terça-feira, a corte vai julgar se abre uma investigação contra Alexandre de Moraes após relatório da Polícia Federal apontar que o ministro trocou 52 mensagens com o ex-banqueiro. As comunicações, conforme o documento, aconteceram inclusive na véspera da primeira prisão de Vorcaro, em novembro do ano passado. O escritório da mulher de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, firmou um contrato de R$ 131 milhões com o Master.

Vorcaro tentou fechar um acordo de delação com a Polícia Federal e o Ministério Público, mas a proposta acabou recusada após os investigadores avaliarem que não houve revelações relevantes e também que ele tentou blindar autoridades. Como mostrou o UOL, o banqueiro falou genericamente dos contatos com Moraes e omitiu as trocas constantes de mensagens com o ministro do STF.

Segundo pessoas próximas, o banqueiro vem reclamando principalmente de André Mendonça, de quem partiu a ordem de prisão em março — a medida foi chancelada na sequência pela Segunda Turma. O ministro é acusado em relatório da PF de atuar de maneira proativa nas negociações da delação de Vorcaro, que acabou recusada.

Além do próprio dono do Master, estão presos o pai dele, Henrique Vorcaro, o cunhado, Fabiano Zettel, o primo, Felipe Vorcaro, e um advogado próximo, Daniel Monteiro. Em conversas, o ex-banqueiro questiona principalmente a situação de seus familiares.

A expectativa no entorno do ministro Alexandre de Moraes é que o próprio ex-banqueiro possa, em algum momento, servir de álibi para desgastar Mendonça e questionar a conduta do ministro no STF.

O entorno de Vorcaro, por outro lado, calcula os efeitos de uma cruzada contra Mendonça, que também será alvo de escrutínio do plenário em julgamento marcado para o próximo dia 23. A avaliação feita por ao menos parte da defesa do ex-banqueiro é a de que atacar o ministro pode ser uma jogada arriscada, já que ainda não se sabe se ele seguirá ou não à frente das investigações.

Enquanto isso, a defesa de Vorcaro aguarda o desfecho do impasse na Suprema Corte para ingressar com um novo pedido de liberdade ou de transferência para o regime domiciliar. A ideia é alegar principalmente que não há contemporaneidade na preventiva, que Vorcaro já está com os bens bloqueados e que não haveria mais motivação para a prisão.

Em junho, enquanto ainda negociava a delação, Vorcaro ingressou com um pedido de transferência para o regime domiciliar alegando que precisaria ter maior segurança. Mendonça rejeitou o pedido, mas acabou transferindo o ex-banqueiro da Superintendência da Polícia Federal para o presídio da Papudinha.

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