A saída para a crise do STF está nas ruas
Nos últimos dias, a conjuntura brasileira se acirrou profundamente com a disputa instaurada no Supremo Tribunal Federal (STF), cujo estopim foram as recentes ofensivas entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. Como pano de fundo imediato da disputa está a investigação do escândalo do Banco Master – e a relação dos ministros com Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco e o principal investigado como responsável pela fraude financeira.
Entre acusações, pedidos de investigação, quebras de sigilo, afastamentos e polêmicas em plenário, o que essa crise já representa é, objetivamente, uma movimentação intencional de disputa política e desestabilização de uma instituição brasileira. A menos de um mês do primeiro turno das eleições, o STF vira um ringue para incidir na disputa colocada no processo eleitoral.
E, mais uma vez, o princípio de separação entre os três poderes é posto em questão quando a movimentação do ministro André Mendonça é automaticamente e orquestradamente incorporada na narrativa da extrema-direita em sua ofensiva contra o governo Lula. Não é a primeira vez que o Judiciário brasileiro é palco de uma disputa que visa incidir nos rumos políticos do país – o golpe contra a Presidenta Dilma é um nítido exemplo disso.
O ministro Mendonça – que foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro -, por sua vez, não parece se furtar de atuar abertamente e com parcialidade como um porta-voz dos interesses da extrema-direita no Judiciário. Exemplo disso foi ter ordenado o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a pedido do Partido Novo.
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