Dos escândalos que nos rebaixam à arte que nos eleva, isto é Brasil
Coordenador geral do Instituto Cidades Sustentáveis, organização realizadora da Rede Nossa São Paulo e do Programa Cidades Sustentáveis
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Difícil lidar com a tempestade de denúncias que surge todos os dias no Brasil e colocam em xeque a lisura de pessoas que, supostamente, deveriam ter um comportamento ético compatível com os cargos que ocupam ou pleiteiam . Não há alternativa a não ser investigar todos os envolvidos. Um antídoto para esses escândalos que nos rebaixam é a arte, que nos eleva. E nessa barafunda, entre decepções políticas e inspirações da arte, seguimos resistindo e levando a vida na expectativa de chegar o tempo em que este país fará jus à sua riqueza cultural e terá lideranças à altura da dignidade da maioria de seu povo.
Escrevo para celebrar um outro amigo íntimo com quem não convivi e que, neste mês, faria 80 anos. Quem diria! 80 anos. Quando ele inesperadamente morreu , uma das primeiras vítimas da pandemia , tomei luto por uma semana, daqueles de ficar amuado, isolado, sem chão e sem vontade de falar. Onde buscaria agora o alento para experiências vividas e a esperança de um novo tempo?
Sempre ouvi suas letras, para músicas com diversos parceiros, como se conversássemos num bar. Ficava pensando de onde vinha a sensibilidade que ali se expressava de maneira tão espetacular e generosa. E então, invariavelmente, não conseguia conter a emoção.
Com ele aprendi a conversar com o tempo, esta dimensão que na maioria das vezes nos pressiona, mas que nos proporciona experiências e amadurecimentos incontornáveis. Graças a Resposta ao Tempo passei a encará-lo de outra maneira, amigavelmente, mesmo com suas batidas na porta. E não é pouca coisa aprender a lidar com o tempo.
Nos momentos difíceis da ditadura, O Bêbado e a Equilibrista me fez retomar a esperança que dançava na corda de sombrinha e sabia que o show —e a vida— tinha que continuar.
A Caça à Raposa surge como uma metáfora da vida, ao vivermos caçando sonhos e sentido, e os necessários recomeços depois de nossos tombos. Um alento.
Quando entro em rota de colisão nas relações ouço Incompatibilidade de Gênios, e não me sinto só. E nos descaminhos amorosos, Voo Cego me guia como pombas nos momentos de isolamento: um choque de realidade.
Em Lupicínia encontrei meu lado B, mas que faz parte de mim, e Saudades da Guanabara, que me faz sorrir ao me recordar de territórios de afeto degradados, mas que ainda podem se salvar.
Certa vez, de passagem pelo Rio de Janeiro, arrisquei ir a um bar onde sabia que ele se reunia com amigos para cantar. De maneira geral, por puro encabulamento, evito tietar meus ídolos, mas não resisti e fui cumprimentá-lo. Nessas horas, não sei se acontece com vocês, as palavras somem e fico perdido. Só me ocorreu dizer, um pouco sério e um pouco brincando, que talvez eu fosse, num ranking imaginário, seu segundo fã, deixando generosamente em aberto o primeiro lugar, um jeito infantil de expressar minha admiração.
Ele ficou me olhando um tanto incrédulo, sem saber o que dizer: nos abraçamos e me afastei.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.