Senadores e candidatos de MS defendem impeachment e reforma no judiciário
Encalacrado num labirinto em que a luz no fim do túnel ilumina o caminho de um inédito processo de impeachment, o STF (Supremo Tribunal Federal) faz contorcionismo para viabilizar um acordão que terminaria vergonhosamente numa enorme pizza.
Os fatos teimam, no entanto, em demonstrar que pode não ser bem assim, conforme sugeriu ao Campo Grande News o senador Nelsinho Trad (PSD), que, mesmo a quatro meses do encerramento de seu mandato, aposta na abertura de impeachment com os atuais 81 integrantes do colegiado ainda este ano: “É um instrumento previsto na Constituição e deve ser tratado com critérios objetivos, rito definido e responsabilidade, independentemente de ser nesta ou na próxima legislatura”.
Atualmente, nada menos que metade da Corte mais importante do país, e não apenas Alexandre de Moraes, vive sob fundada suspeita de crimes que variam de prevaricação a corrupção, conforme demonstram os relatórios de inteligência e de investigação da Polícia Federal que, a cada dia, revelam a conivência de integrantes da Corte com Daniel Vorcaro, o ex-banqueiro que corrompeu a República.
As suspeitas de venda de decisões na Corte para atender aos interesses do banqueiro preso, como se vê, têm repercussão geral em toda a máquina do Judiciário.
O Senado no centro da crise A senadora Tereza Cristina (PP), que há tempos já vinha coletando apoios para apresentar um pedido de impeachment, subiu o tom depois do espetáculo deprimente que os ministros do STF deram no último dia 15, para dizer o que está na boca da direita barulhenta e mesmo na esquerda recolhida ao silêncio: “É muito perigoso para o país quando um de seus pilares, o Judiciário, está na iminência de uma implosão”.
A senadora expressa esse sentimento num texto curto publicado em suas redes sociais, onde também demarca território na disputa que travará no ano que vem pela presidência do Congresso, com o atual presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil), acusado de "sentar em cima" de 121 pedidos de impeachment de ministros do STF, 55 deles mirando Alexandre de Moraes.
Caso a direita confirme, em 4 de outubro, a vantagem nas eleições legislativas, como conseguiu nas últimas duas eleições, a senadora se coloca como favorita contra Alcolumbre, pela persistência com que tem tratado o impeachment, sonho de consumo de conservadores empoderados e da extrema direita no Senado.
“O país inteiro está indignado com o show de soberba, desrespeito e deboche.
Infelizmente, os brasileiros hoje têm certeza de que existem, sim, os que estão acima da lei”, escreveu a sul-mato-grossense, para, em seguida, reforçar o óbvio que a omissão esconde: “O Senado tem o poder constitucional de definir a composição do STF e não pode se apequenar diante de tamanha crise.
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