Estudo propõe novo subtipo de depressão ligada ao relógio biológico
Pesquisadores australianos identificaram um possível novo subtipo de depressão, chamado de depressão circadiana, associado a alterações no relógio biológico (também conhecido como ciclo circadiano) que regula funções do organismo ao longo do dia.
Publicado nessa terça-feira (20) no British Journal of Psychiatry, o estudo analisou dados clínicos e genéticos de 11.380 pessoas com depressão predominantemente grave e recorrente e constatou que 2.604 delas (23% do grupo) apresentavam características compatíveis com a classificação.
Os resultados sugerem que essas pessoas podem responder de maneira diferente ao tratamento com antidepressivos tradicionais e, eventualmente, se beneficiar de abordagens mais direcionadas à regulação do ciclo de sono e vigília, como a exposição à luz solar pela manhã e o uso do hormônio melatonina.
Apesar dos achados consistentes, a equipe ressalta que ainda são necessárias novas investigações para confirmar as conclusões e determinar a eficácia da estratégia.
Sintomas típicos do novo subtipo de depressão Para definir a depressão circadiana, a equipe estabeleceu seis características relacionadas ao sono e aos ritmos diários.
Os participantes precisavam apresentar pelo menos três delas para se enquadrar na classificação proposta.
Os critérios são: Apresentar um padrão sazonal de episódios da doença; Ir dormir mais tarde; Dormir por mais tempo durante períodos de depressão; Ter preferência por atividades noturnas; Acordar com muito cansaço; e Experimentar o chamado jet lag social (diferença entre os horários de sono nos dias de trabalho ou estudo e aqueles adotados nos fins de semana ou períodos livres.
Além dos padrões de sono, os pesquisadores observaram diferenças importantes na trajetória da saúde mental dos participantes classificados com o possível subtipo circadiano.
Essas pessoas tendem a relatar sintomas mais graves, início da depressão em idade mais jovem, maior número de episódios e percursos clínicos mais complexos.
Em alguns casos, também foram relatos ideação suicida e episódios hipomaníacos e psicóticos.
Vale lembrar que a hipomania é um estado de humor e energia anormalmente elevados, menos intenso do que a mania, enquanto os sintomas psicóticos podem envolver, por exemplo, alucinações ou crenças que não correspondem à realidade.
Os pesquisadores também descobriram que aqueles com depressão circadiana apresentavam maior risco genético para TDAH e transtornos de humor Pexels A pesquisa também identificou maior risco genético para TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) e outros transtornos de humor, bem como diferenças em marcadores metabólicos e inflamatórios, medidas relacionadas ao funcionamento do organismo e aos processos de inflamação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.