Ave que cientistas chegaram a considerar perdida volta a aparecer após quase meio século e hoje novamente ocupa áreas selvagens
Reintrodução histórica devolve à ilha um antigo engenheiro do ecossistema e abre uma nova fase na maior restauração já tentada no arquipélago.
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR A ave considerada perdida pela ciência durante quase meio século voltou a ser encontrada viva em uma região remota da Nova Zelândia. O takahē, incapaz de voar, foi redescoberto em 1948 e hoje novamente ocupa áreas selvagens graças a décadas de conservação e reintroduções.
Trata-se do takahē ( Porphyrio hochstetteri ), uma grande ave incapaz de voar e endêmica da Nova Zelândia. O Department of Conservation da Nova Zelândia registra que a espécie foi considerada extinta por quase 50 anos.
Os últimos registros conhecidos ocorreram no fim do século XIX. Em 20 de novembro de 1948 , Geoffrey Orbell e sua equipe encontraram aves vivas nas remotas montanhas Murchison, em Fiordland, encerrando décadas sem confirmação da espécie.
O takahē sofreu com caça, perda de habitat, competição por alimento e predadores mamíferos introduzidos. Como a ave não voa e vive no chão, ficou especialmente exposta a animais que não faziam parte originalmente dos ecossistemas neozelandeses.
Depois de 1898, nenhum indivíduo foi confirmado por décadas. A combinação entre ausência de registros e forte declínio histórico levou à conclusão de que a espécie havia desaparecido, até que pegadas, vocalizações e buscas direcionadas levaram à redescoberta.
O Burwood Takahē Centre tornou-se uma peça importante desse trabalho. Técnicas inicialmente muito intensivas foram substituídas gradualmente por métodos que permitem aos próprios adultos incubar ovos e criar filhotes com menor intervenção humana.
Uma etapa decisiva ocorreu em 2018 , quando aves foram reintroduzidas no Kahurangi National Park. Em agosto de 2023, outros 18 takahē, formando nove pares , foram soltos na região de Greenstone, em Upper Whakatipu, para ampliar a presença selvagem da espécie.
O retorno ao Upper Whakatipu integrou a estratégia de estabelecer novas populações autossustentáveis. Aves também foram introduzidas em Rees Valley em 2025, expandindo novamente a área ocupada.
Em maio de 2026, o Department of Conservation informou que existem pouco mais de 500 takahē . O número é muito superior aos níveis observados em momentos críticos do programa, embora a espécie continue rara e dependente de proteção constante.
O status nacional permanece como Ameaçada – Nacionalmente Vulnerável . Doninhas arminho, gatos ferais e outros mamíferos predadores continuam entre as ameaças, por isso novas áreas precisam de controle de invasores e acompanhamento das aves.
Não. A volta às áreas selvagens mostra que décadas de conservação permitiram expandir novamente a distribuição da espécie, mas uma população pouco acima de 500 indivíduos ainda é pequena diante de eventos climáticos, doenças ou aumento de predadores.
O caso representa uma mudança incomum: uma ave considerada extinta por quase meio século não apenas reapareceu, como voltou a formar populações fora do refúgio onde foi redescoberta. O desafio agora é transformar essas reintroduções em grupos selvagens duradouros e cada vez menos dependentes de manejo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.