“Triunfo da charlatanice”: Nobel de Economia explica interesses por trás do decreto antivacina de Trump
Em meio ao maior surto de sarampo dos últimos 30 anos nos Estados Unidos, o presidente do país, Donald Trump, assinou uma ordem executiva em 10 de agosto propondo alterações na forma como vacinas infantis são administradas.
Entre outras medidas, o documento orienta o aumento do intervalo entre algumas aplicações e a separação de imunizantes oferecidos de forma combinada.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) observou que as mudanças não são baseadas em evidências científicas consolidadas.
Para o Prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, contudo, a medida não apenas carece de base científica, como representa um perigo iminente à saúde pública, impulsionado por interesses financeiros e ideológicos da extrema direita.
Para entender a adesão do Partido Republicano ao movimento antivacina, Krugman sugere seguir o dinheiro.
Embora não haja lucro direto em ver crianças contraindo sarampo, há uma fortuna sendo feita com a desinformação médica.
“O sentimento antivacina é muito parecido com a negação das mudanças climáticas.
Em ambos os casos, para entender a política por trás disso, é preciso fazer duas coisas”, aponta, em seu Substack .
“Primeiro, seguir o dinheiro: observar quais grupos de interesse se beneficiam financeiramente da desinformação e por que esses grupos detêm o poder.
Segundo, acompanhar a guerra cultural: questionar por que essa desinformação específica encontra eco nos preconceitos e queixas de um segmento da população.” Interesses econômicos por trás do movimento antivacina O economista pontua que, à primeira vista, os interesses financeiros por trás das políticas antivacina são menos óbvios do que os interesses dos combustíveis fósseis que apoiam a negação das mudanças climáticas.
Mas é possível seguir trilhas para se chegar ao dinheiro.
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E é um negócio profundamente entrelaçado com o ecossistema da mídia de direita: anúncios de suplementos alimentares sem benefícios médicos comprovados e outras formas de charlatanismo têm sido, por décadas, uma importante fonte de receita para programas de rádio de direita, sites de teorias da conspiração e muito mais”, afirma.
Krugman dá alguns exemplos que ilustram essa relação.
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