Contas da Bahia pioram sob Jerônimo Rodrigues (PT), mas investimentos aumentam
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A situação fiscal da Bahia se deteriorou na gestão de Jerônimo Rodrigues ( PT ) em comparação com o governo do seu antecessor, o petista Rui Costa , na análise dos principais indicadores orçamentários do estado.
Jerônimo, que busca a reeleição, assumiu com superávit orçamentário acumulado de R$ 8,48 bilhões nos quatro anos da gestão Rui Costa. O quadriênio de seu governo pode acabar com déficit de R$ 7,3 bilhões, segundo números oficiais e estimativas publicadas pelo governo da Bahia. Os valores são corrigidos pela inflação.
Em 2025, as contas baianas registraram superávit orçamentário de R$ 480 milhões. Para 2026, último ano do mandato do governador, as projeções oficiais apontam para um déficit de R$ 5,72 bilhões, com base nos documentos oficiais do final do terceiro bimestre.
A Folha analisou a situação fiscal da Bahia, uma das vitrines do PT, com base nos principais indicadores de 2019 a 2026 e com o auxílio de especialistas. Apesar da piora, o estado mantém dívida controlada e nota no Tesouro que permite a tomada de empréstimos com garantia da União.
Esta é a quarta reportagem da série Estado das Contas, sobre a situação fiscal dos cinco estados mais populosos do país: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná.
A reportagem procurou, desde o dia 8, o secretário de Finanças da Bahia, Manoel Vitório, mas na sexta (11) a assessoria informou que, por questão de agenda, ele não poderia falar.
Em nota, a Secretaria de Fazenda afirmou que o endividamento é baixo, que o estado é um dos "líderes em investimento no país" com uso de recursos próprios e com capacidade de obter garantia da União em empréstimos, e defendeu que não há riscos de insolvência para as contas públicas locais.
Além da piora na situação orçamentária, o resultado primário também piorou. A gestão Rui Costa acumulou primário positivo de R$ 13,5 bilhões, e Jerônimo pode terminar o mandato com déficit primário de R$ 3,32 bilhões.
O resultado primário contabiliza as receitas menos as despesas, sem contar os custos financeiros com juros (o dinheiro que saiu ou não do caixa). Já o orçamentário calcula as receitas realizadas menos as despesas empenhadas.
No ano passado, Jerônimo elevou a meta de déficit primário de R$ 1,1 bilhão para R$ 4,2 bilhões, sob críticas do TCE-BA (Tribunal de Contas da Bahia).
"Embora a obtenção de resultado primário deficitário não caracterize, por si só, falta de responsabilidade fiscal, a alteração da meta ao final do exercício exige análise própria, pois as metas fiscais devem funcionar como instrumentos prévios de planejamento, transparência e condução da política fiscal", alertou a conselheira Carolina Matos, relatora das contas estaduais do ano passado.
Os números também se deterioraram quando o caixa do estado é analisado. A disponibilidade líquida após os restos a pagar mede a sobra de recursos depois de descontadas obrigações a serem pagas. É uma medida mais próxima da capacidade financeira imediata do estado.
O saldo de caixa livre após essas obrigações fechou 2025 em R$ 900 milhões, ante R$ 5,3 bilhões ao final de 2022.
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