Netanyahu lidera apuração em Israel, mas oposição busca aliança com árabes
A apuração parcial das eleições em Israel indica vantagem do bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, enquanto a oposição articula uma aliança com partidos árabes para tentar formar governo.
Os resultados parciais mostram o bloco de Benjamin Netanyahu na liderança da contagem de votos. Com mais de 76% das urnas apuradas, a coalizão do atual primeiro-ministro atinge entre 54 e 56 cadeiras no parlamento.
O bloco de oposição liderado por Gadi Eisenkot aparece na segunda posição. O grupo do partido Yashar soma entre 47 e 48 assentos com o prosseguimento da apuração.
Partidos de liderança árabe garantem entre 16 e 19 cadeiras na contagem atual. A bancada reúne parlamentares da Lista Conjunta e do Ra'am, que foram apontados como Netanyahu e seus apoiadores como uma "ameaça ao estado judeu" durante a campanha.
Legendas menores permanecem abaixo do limite mínimo de 3,25% dos votos. Estão nessa situação os partidos Reservistas, com 2,6%, Povo de Israel, com 1,7%, e Público Haredi, com 0,2%.
Os votos em envelopes duplos ainda passam por contabilização. O grupo inclui as urnas dos soldados e pode alterar os números finais.
O líder democrata Yair Golan defendeu a união com os partidos árabes para formar governo. O político ressalta que a soma das legendas garante 65 das 120 cadeiras do parlamento israelense.
Golan afirmou nas redes sociais que a oposição possui a maioria matemática necessária. "Netanyahu perdeu. Eu sei contar até 120. 65 é mais que 55. É assim que a democracia israelense funciona. Ponto final", escreveu no X.
O ex-vice-chefe militar defendeu o fim da divisão no país para viabilizar a nova coalizão. "Não temos futuro aqui se não pararmos de ter medo. E se não acabarmos com o racismo. Não podemos mais aceitar a divisão racista de Netanyahu entre votos judeus e votos árabes", declarou Golan.
A presença de legendas Haredi no grupo de Netanyahu também recebeu críticas do parlamentar. Golan apontou que o bloco governista conta com 16 deputados ultraortodoxos não sionistas que promovem a isenção do serviço militar obrigatório.
O parlamentar convocou os demais líderes a agir com coragem para concretizar a mudança. "Temos maioria. Temos responsabilidade. E temos a oportunidade de formar um governo de mudança em parceria com os cidadãos árabes de Israel", completou.
Os cerca de 7,3 milhões de eleitores israelenses votam em listas apresentadas pelos partidos políticos, e não diretamente em candidatos a primeiro-ministro, quando vão às urnas. O presidente do país, então, divide as cadeiras do parlamento de acordo com a proporção de votos que cada partido ganhou.
O Knesset tem 120 cadeiras e é eleito por sistema proporcional, ou seja, para formar um governo, a coalizão precisa reunir ao menos 61 assentos. Um acordo para formar maioria costuma exigir ligações entre partidos, algo atípico em um cenário político fragmentado.
Mesmo se conseguir a maioria dos votos, o Likud, partido de Netanyahu, só vai poder governar se formar coalizões com outros partidos - o que pode não acontecer. Quando ganhou as eleições mais recentes, em 2022, a coalizão liderada por Netanyahu conquistou 64 cadeiras.
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