Canetas emagrecedoras não causam dependência, mas devem ser monitoradas
As canetas emagrecedoras ganharam espaço nos últimos anos e passaram a integrar não só o tratamento da obesidade, mas também discussões sobre estilo de vida.
Apesar de resultados rápidos e uso cada vez mais comum, é difícil chegar ao fim do tratamento e abandonar os medicamentos.
De acordo com especialistas, as canetas não provocam dependência química no sentido clássico, como ocorre com substâncias que alteram o sistema de recompensa do cérebro.
No entanto, o uso pode evoluir para uma relação inadequada com o medicamento.
A cirurgiã bariátrica Stephanie Giulianne Silva Morelli, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), explica que o problema aparece quando a medicação deixa de ser parte de um plano terapêutico mais amplo.
“Pode surgir uma relação psicológica ou comportamental inadequada, quando o paciente passa a acreditar que não consegue controlar o peso sem a caneta, sente medo de interromper o uso ou ajusta doses por conta própria”, afirma.
Esse tipo de vínculo também pode ser influenciado por objetivos centrados apenas no peso.
Quando a busca por números menores na balança se sobrepõe a aspectos como composição corporal, saúde metabólica e hábitos, o medicamento passa a ocupar um papel central na rotina.
O endocrinologista Igor Trotte, que atua no Rio de Janeiro, ressalta que é importante diferenciar esse cenário da própria natureza da obesidade .
“É uma doença crônica e muitos pacientes podem precisar de tratamento prolongado.
Recuperar peso após suspender o medicamento não significa dependência, mas o retorno de mecanismos biológicos que favorecem o ganho de peso”, aponta.
Quando o tratamento gira em torno da balança Um dos principais sinais de alerta é a mudança na forma como o paciente avalia o próprio progresso.
Em vez de considerar alimentação, atividade física, sono e saúde geral, o foco passa a ser exclusivamente o número na balança.
“Há casos em que a pessoa já atingiu uma composição corporal adequada, mas continua querendo aumentar a dose porque ganhou poucos gramas ou deseja emagrecer mais”, diz Stephanie.
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