"As pessoas não fazem planos. Não há esperança": o declínio do cotidiano na Rússia
"As pessoas não fazem planos. Não há esperança": o declínio do cotidiano na Rússia - Escassez de combustível, alta de preços e drones pressionam sociedade russa, com pesquisas apontando que ânimo da população vem se deteriorando. À DW, russos relatam como têm enfrentado cotidiano cada vez mais difícil.Escassez de combustível que afeta a rotina diária. Descontentamento com preços e enfraquecimento com perspectivas de emprego. Planejamento para o futuro que dá lugar a estratégias de sobrevivência a curto prazo. Essas são algumas das queixas apresentadas por cidadãos da Rússia conforme cresce a ansiedade com as consequências da guerra iniciada pelo país na Ucrânia, há mais de quatro anos.
Até mesmo os principais institutos de pesquisa da Rússia — incluindo o estatal VCIOM e o FOM, bem como o independente Centro Levada — tem relatado um claro declínio no ânimo da população russa. O regime de Vladimir Putin, no entanto, insiste que as condições permanecem estáveis e que os problemas que vem surgindo não são críticos.
A DW convidou seus seguidores russos nas redes sociais a compartilharem suas histórias. Todas as respostas foram anonimizadas por motivos de segurança.
Um seguidor da DW no distrito de Pechatniki, em Moscou, descreveu uma tentativa recente de abastecer tarde da noite, percorrendo cerca de 40 quilômetros em busca de postos que ainda tivessem combustível.
"Se há combustível em algum lugar, há uma fila enorme de 50 a 100 carros", disse ele. "Decidimos que esperar até as 3 ou 4 da manhã para depois ir direto para o trabalho seria uma péssima ideia, então voltamos para casa para dormir. Estamos com meio tanque por enquanto, mas, até o fim da semana, teremos que caçar combustível ou ficar parados. Ultimamente, usamos o carro quase exclusivamente para viagens à dacha [casa de campo russa] para visitar nossos pais idosos."
"Agora é preciso caçar combustível à noite. Nem sempre se tem sorte. Muitas vezes não há combustível nenhum. Quando há, a espera é de duas a três horas", disse outro seguidor.
A escassez de combustível, desencadeada por frequentes ataques de drones ucranianos a refinarias de petróleo russas, tornou-se uma das principais queixas da população. Dados do BenZinMap, um portal de monitoramento de combustíveis, mostram restrições severas na venda em 66 regiões até 27 de agosto, com outras 16 relatando interrupções pontuais ou fortes aumentos de preços.
Alexander Shokhin, chefe da União Russa de Industriais e Empresários (RSPP), disse ao portal de notícias RBC que a capacidade de refinamento caiu quase um terço, uma observação partilhada por analistas independentes. As medidas governamentais – incluindo proibição de exportação, aumento de importações e padrões de qualidade de combustível mais flexíveis – não tem conseguido compensar a perda de capacidade de produção.
Dados fornecidos pelo serviço estatal de estatísticas russo Rosstat mostram que os preços médios da gasolina no varejo subiram 7,4% este ano, superando a inflação geral de 4,19%.
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