Defesa de adolescente que abandonou bebê em Piraquara contesta investigação e nega tentativa de infanticídio
A defesa da adolescente de 16 anos que abandonou uma bebê recém-nascida dentro de uma sacola em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, contesta a forma como a investigação foi conduzida pela Polícia Civil e afirma que a jovem não tinha intenção de matar a filha . A advogada Louise Mattar Assad assumiu a defesa da família e afirma que pretende pedir novas diligências para esclarecer o caso.
A advogada relatou à Banda B que a adolescente não teria sido ouvida de maneira adequada pela polícia , seguindo os protocolos específicos para a oitiva de adolescentes. Louise também afirma que a versão apresentada no inquérito não corresponde ao que, segundo ela, realmente aconteceu.
“Depois que tive acesso a esse inquérito, nós percebemos que o inquérito foi conduzido de forma errada. A menor não foi ouvida de forma especializada, seguindo os protocolos de oitiva de adolescentes”
A defesa também contesta a classificação inicial do caso como tentativa de infanticídio. Para Louise, não houve intenção de matar a recém-nascida. “Não é uma tentativa de infanticídio. No máximo, aqui nós estamos falando de um abandono de incapaz, porque a intenção dela nunca foi matar um bebê” , disse.
Um dos principais pontos apresentados pela defesa é a alegação de que a adolescente não sabia que estava grávida .
Segundo Louise, a defesa teve acesso aos prontuários médicos da jovem na Unidade Básica de Saúde (UBS) de Piraquara. Conforme a advogada, desde março a adolescente teria procurado atendimento diversas vezes relatando sintomas como dores abdominais, vômitos, náuseas, azia e desmaios .
A advogada afirma que não há registros, nesses atendimentos, de suspeita de gravidez, realização de teste ou recusa da adolescente em fazer um exame.
Ainda de acordo com Assad, uma semana antes do parto a adolescente teria passado novamente pela UBS, onde recebeu medicação.
A advogada relata que, na madrugada em que a recém-nascida nasceu, a adolescente teria começado a sentir fortes cólicas , que seriam, segundo a defesa, contrações do parto .
Ela teria ido ao banheiro e feito força, quando o bebê nasceu de forma inesperada.
Segundo Assad, a adolescente contou à defesa que a criança não chorou imediatamente após o nascimento . Por não saber como agir e acreditar que a filha estivesse morta , teria colocado a recém-nascida dentro de uma sacola.
A defesa afirma ainda que a adolescente estava sozinha e não sabia como contar aos pais sobre o que havia acontecido.
“Ela não sabia o que fazer. O pai e a mãe também não sabiam que estava grávida, nem ela” , relatou a advogada.
Assad também relaciona a reação da adolescente ao chamado estado puerperal , período posterior ao parto marcado por alterações físicas e hormonais. A caracterização jurídica dessa condição, porém, deverá ser analisada no decorrer da investigação.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bandab.com.br — o conteúdo pertence a Banda B.