EUA sancionam ativista palestina que vive no Brasil; ‘estou no lado certo’, afirma Rawa Alsagheer
“Estou no lado certo da história, como sempre, a maior arma da luta palestina é a história e a palavra”, essa foi a declaração da coordenadora da rede Samidoun, de solidariedade aos prisioneiros palestinos, Rawa Alsagheer a Opera Mundi , após o governo dos Estados Unidos impor sanções contra ela nesta quarta-feira (26/08).
“Essas classificações estão sendo utilizadas pelos imperialistas contra as vozes e os movimentos que estão realmente incomodando, que estão trabalhando para uma revolução e uma unificação popular”, disse, acrescentando que “eles podem colocar sanções e considerar o que quiserem, mas no final sabemos que estamos corretos e do lado certo da história”.
As medidas foram anunciadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), do Departamento do Tesouro dos EUA, com base na legislação norte-americana de combate ao terrorismo. Além de Alsagheer, a administração Trump também sancionou Zaid Abdulnasser, outro dirigente do Movimento Masar Badil, que vive na Alemanha.
Segundo o governo norte-americano, Alsagheer é dirigente do Masar Badil — organização transnacional que, segundo o Tesouro dos EUA, atua como braço da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) — e também teria vínculos com a Rede Samidoun, alvo de sanções dos EUA e do Canadá em 2024.
Como consequência das sanções, eventuais recursos dos alvos mantidos nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos e empresas estadunidenses ficam bloqueados. Também é restringido transações de cidadãos norte-americanos com as pessoas e organizações incluídas na lista.
“Como movimento, nós estamos em quase 30 países pelo mundo. Então, essa força, claro que eles vão considerar terrorista e fazer o possível para interromper a nossa luta, mas eles nunca vão conseguir, porque nós lutamos pelo amor à terra, pela libertação e pelos povos oprimidos”, diz.
Nascida na Síria e de origem palestina, Alsagheer chegou ao Brasil em maio de 2015, atraída pela política de acolhimento a refugiados palestinos durante o governo Dilma Rousseff.
A militante afirma “não ter vínculos financeiros com os Estados Unidos ou com outro país” e diz que trabalha de forma autônoma no Brasil e utiliza bancos brasileiros. Segundo ela, após ser demitida do Museu da Imigração do Estado de São Paulo, em novembro de 2023, passou a dar aulas de árabe.
Alsagheer também relatou ter sofrido tentativas de invasão de seu computador e disse que foi banida de redes sociais, o que teria afetado sua principal fonte de renda. Para ela, as sanções representam uma “tentativa de atingir sua atuação política em defesa da Palestina”.
Coordenadora da Rede Samidoun de Solidariedade aos Prisioneiros Palestinos e integrante do Comitê Executivo do Movimento Masar Badil, ela afirma que as organizações são alvo de medidas por sua atuação em defesa dos direitos palestinos e dos prisioneiros.
Além disso, a militante diz não pretender recorrer da decisão e acredita que as sanções não terão impacto significativo sobre sua vida no Brasil, afirmando: “Eu moro e trabalho no Brasil.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em operamundi.uol.com.br — o conteúdo pertence a Opera Mundi.