Países da UE querem retomar debate sobre recursos russos bloqueados
Holanda, Polônia, Espanha e Suécia pediram nesta quinta-feira (27) que a União Europeia retome, na próxima semana, as discussões sobre o uso de ativos russos congelados em benefício da Ucrânia, enquanto Moscou não dá sinais de que pretende encerrar a guerra.
Em uma carta obtida pela Reuters, os ministros das Relações Exteriores dos quatro países argumentam que, embora a UE tenha aprovado em dezembro um empréstimo de 90 bilhões de euros (cerca de US$ 105 bilhões) para Kiev em 2026 e 2027, o valor não será suficiente.
“A Ucrânia precisa de mais apoio financeiro tanto no curto quanto no longo prazo”, diz a carta, endereçada à chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, e à ministra das Relações Exteriores da Irlanda, Helen McEntee, cujo país ocupa a presidência rotativa do bloco.
Leia Mais Kiev luta para trazer de volta crianças ucranianas enviadas para a Itália Ataque da Ucrânia deixa quatro mortos na Rússia e encobre céu com fumaça Ucrânia diz ter retomado 745 km² de território ocupado pela Rússia em 2026 Os ministros afirmam que “agora é o momento” de retomar a discussão sobre como utilizar os ativos russos imobilizados em benefício da Ucrânia.
Eles querem que o tema seja debatido na próxima reunião de ministros das Relações Exteriores da UE, marcada para os dias 1º e 2 de setembro, na Irlanda.
Os países da União Europeia imobilizaram cerca de 210 bilhões de euros em ativos do Banco Central da Rússia após a invasão da Ucrânia , em fevereiro de 2022.
Desse total, cerca de 185 bilhões de euros estão depositados na Euroclear, uma central de valores mobiliários com sede em Bruxelas.
A Comissão Europeia propôs no ano passado usar o dinheiro russo para financiar um empréstimo de até 165 bilhões de euros à Ucrânia.
O pagamento seria exigido apenas depois que a Rússia pagasse indenizações de guerra a Kiev.
A Bélgica rejeitou o plano, alegando que ele não oferecia garantias suficientes de que o país não ficaria sozinho diante de possíveis processos judiciais e pedidos de indenização por parte da Rússia.
Com isso, o plano de utilização dos ativos congelados foi abandonado e substituído pelo empréstimo de 90 bilhões de euros, garantido pelo orçamento da UE.
Chance de acordo é incerta Autoridades afirmaram que não está claro se as novas negociações terão sucesso, já que a Bélgica não mudou de posição.
Os quatro países propõem que especialistas técnicos da Comissão Europeia avaliem, em conjunto com os Estados-membros, novas opções para utilizar os ativos imobilizados em benefício da Ucrânia.
Segundo autoridades, um novo impulso para a discussão pode vir das negociações em andamento sobre o próximo orçamento de longo prazo da UE, para o período de 2028 a 2034, que terá de incluir recursos para a Ucrânia.
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