Recuo sem explicações da Petrobras em alta da gasolina gera ruído e desconfiança, dizem analistas
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O recuo da Petrobras em relação ao aumento no preço da gasolina foi visto com desconfiança pelo mercado, que teme interferência do governo federal em decisões da empresa às vésperas da eleição presidencial.
Em relatório divulgado nesta sexta-feira (11), analistas do BTG Pactual lembram que a Petrobras revogou o aumento em poucas horas "sem fornecer uma explicação detalhada". O movimento, completam, gera ruídos e enfraquece a credibilidade da companhia.
O recuo foi anunciado pouco antes da 1h de quinta (10) , cerca de quatro horas após o comunicado que informou o aumento no preço do combustível. A estatal não informou a causa da mudança. Fontes da empresa e do governo dizem que houve erro de comunicação em relação ao novo subsídio.
A ideia de Lula, porém, é baixar o preço do combustível às vésperas das eleições. Assim, a estatal recuou e os R$ 0,19 restantes serão repassados a distribuidoras de combustíveis e —o governo espera—ao consumidor final.
O mercado esperava que a Petrobras subisse seus preços, já que vem operando com elevadas defasagens em relação ao mercado internacional, hoje pressionado pelo recrudescimento dos confrontos no Oriente Médio .
Na abertura do mercado desta sexta, o preço da gasolina vendida pela Petrobras estava R$ 0,97 por litro (ou 32%) abaixo da paridade de importação calculada pela Abicom. Pelas contas do Itaú, a diferença é maior, de R$ 1,08 por litro.
A Petrobras não importa gasolina, o que reduz os impactos da defasagem sobre suas finanças. Mas há grande preocupação com a formação de preços do diesel , para o qual o Brasil depende do mercado exterior e cuja demanda tende a subir no segundo semestre .
"A reversão do aumento do preço da gasolina, na ausência de uma justificativa empresarial claramente comunicada", escreveram analistas do Itaú BBA, "pode reforçar as preocupações dos investidores quanto à consistência e à independência dos processos de decisão sobre preços."
Segundo a estimativa da Abicom, a Petrobras está vendendo o produto por menos da metade do preço de paridade de importação, uma diferença de R$ 3,55 por litro. Nas contas do Itaú BBA, a diferença é de R$ 3,13 por litro.
Esse vinha sendo o padrão das ações coordenadas entre o governo e a estatal desde o início da guerra: a empresa aumentava preços após a criação de subsídios e os reduzia quando os subsídios eram eliminados . O objetivo é manter o preço nas bombas sem causar prejuízos à companhia.
O padrão foi rompido nesta semana com a gasolina, para surpresa também de executivos do setor ouvidos pela Folha , que já temem que o cenário se repita no diesel, com pressão para manter ou até mesmo reduzir o preço até o fim do período eleitoral.
"Ainda há uma diferença significativa a ser coberta no [preço do diesel]", dizem os analistas do Itaú BBA. "Se o conflito se intensificar e os preços internacionais do petróleo subirem, é provável que surja uma pressão adicional sobre a política de preços da companhia."
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.