O poder da matemática a serviço da indústria
Durante seu doutorado em análise numérica na Universidade de Oxford, no Reino Unido, o matemático José Alberto Cuminato se surpreendeu com uma atividade promovida pela instituição.
Ao longo de uma semana, representantes de diferentes ramos empresariais traziam problemas para serem discutidos e, quem sabe, solucionados por alunos e professores.
Cuminato desconhecia iniciativa parecida no Brasil.
Após voltar com seu doutorado concluído, em 1987, quis elaborar algo semelhante no país.
A tarefa, no entanto, não era fácil.
“Para isso, é preciso ter gente que esteja querendo sentar e conversar.
Encontrar pessoas que estejam interessadas”, diz ele.
Na época, havia pouca abertura no país para a matemática aplicada, área voltada a solucionar problemas práticos de pessoas e de empresas.
Marcelo Viana, diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), no Rio de Janeiro, conta que o interesse por essa área cresceu nos últimos anos no Brasil, mas ainda existem desafios.
“Hoje em dia, ficou claro que o conhecimento matemático é fundamental para a geração de riqueza e o desenvolvimento nacional.
Aliás, o impacto econômico das aplicações nessa área está crescendo, à medida que ferramentas como a ciência de dados e a inteligência artificial invadem todas as áreas”, afirma ele.
Para o diretor-geral do Impa, o trabalho de Cuminato foi essencial para popularizar a matemática aplicada.
Ele avalia que o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (Cemeai) , iniciativa idealizada pelo matemático, foi importante para inserir o tema na pauta nacional.
Anos depois de seu retorno ao Brasil, quando já era professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP), em São Carlos, Cuminato observou que instituições de fomento no país passaram a se preocupar mais com a interdisciplinaridade e com os resultados práticos de pesquisas.
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