Quais são as pistas do Alzheimer antes dos primeiros sintomas?
Quando o diagnóstico de Alzheimer chega, quase sempre é tarde demais.
Alterações associadas à doença podem começar a se acumular no cérebro por 15 ou 20 anos antes que a pessoa esqueça compromissos, repita as mesmas perguntas ou não saiba mais operar o controle da TV.
É essa ampla janela de tempo que a medicina tenta descortinar para antever sinais de demência antes de ela se manifestar.
“Embora seja possível controlar sintomas e aliviar o sofrimento, não é possível intervir no curso da doença quando a pessoa já não sabe ligar uma televisão.
É tarde”, resume o neurologista Gustavo Melo de Andrade Lima, presidente do Núcleo de Ensino e Pesquisa em Envelhecimento Cerebral (Nudec) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Antecipar esse relógio é o objetivo do Estudo Brasileiro em Doença de Alzheimer (Bioaz), um estudo de coorte (pesquisa que acompanha um grupo ao longo do tempo) que a equipe da Unifesp começou a montar com apoio de um projeto temático da FAPESP .
A proposta é acompanhar, por cinco anos, 500 brasileiros a partir de 55 anos que já têm queixas de memória, mas ainda não desenvolveram demência, colhendo deles uma quantidade incomum de dados clínicos e biológicos.
A expectativa é encontrar biomarcadores que indiquem quem vai desenvolver Alzheimer.
Mas a pesquisa carrega, embutida, uma pergunta desconfortável: o que significa se voluntariar para um estudo que pode revelar, com anos de antecedência, que você está no caminho da demência? Antes do esquecimento 15 a 20 anos é o tempo em que alterações associadas ao Alzheimer podem se acumular no cérebro antes dos primeiros sintomas Estudo Bioaz 500 brasileiros com 55 anos ou mais, com queixas de memória mas sem demência, serão acompanhados por cinco anos O projeto nasceu por vias tortuosas, como boa parte da ciência.
No pós-pandemia, Lima propôs um mestrado modesto: rastrear por telefone e e-mail pessoas com queixa de memória.
“Quando percebi que ia fazer um trabalho de triagem sem poder acompanhar os indivíduos, achei que seria um desperdício”, conta.
Diante da escassez de grandes coortes sobre Alzheimer em países de baixa e média renda, ele reescreveu seu projeto: a triagem virou porta de entrada para um estudo longitudinal, e o mestrado se transformou em um doutorado.
Para viabilizar uma coorte que exige muitos recursos, Lima foi “amarrando” departamentos dentro da Unifesp — oftalmologia, fonoaudiologia, bioquímica, informática, diagnóstico por imagem etc.
Hoje, o projeto envolve cinco departamentos e mais de 100 pesquisadores, com colaboração da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistapesquisa.fapesp.br — o conteúdo pertence a Pesquisa FAPESP.