Pesquisadores encontram poluentes industriais, pesticidas e remédios em milhares de amostras de água do mar
Um estudo publicado na revista Nature Geoscience analisou 2.315 amostras de água do mar para identificar o nível de poluição oceânica por resíduos químicos.
Segundo a pesquisa, liderada por cientistas ligados à Universidade da Califórnia, com participação de pesquisadores brasileiros e internacionais, havia pelo menos 248 características químicas associadas a compostos de origem humana nas amostras e, em casos extremos, a participação desses resíduos chegou a 76%.
A chamada matéria orgânica dissolvida, ou DOM, na sigla em inglês, é uma mistura de moléculas orgânicas presentes na água, que podem ser produzidas por microrganismos ou algas marinhas e pela decomposição, além de processos químicos e biológicos.
Os pesquisadores buscaram identificar a proporção desses traços químicos que correspondia a químicos originários de atividades humanas, como produtos residenciais de limpeza, químicos industriais e agrícolas transportados pelo esgoto ou pelas chuvas.
A partir de 21 conjuntos públicos de dados obtidos de diferentes projetos científicos, os pesquisadores avaliaram mais de duas mil amostras de água do mar de ambientes costeiros e do oceano aberto de três grandes bacias: Pacífico, Atlântico e Índico, além de regiões como o Mar Báltico, o Caribe e regiões costeiras da África do Sul.
O estudo usou um método de mapeamento da impressão digital química para identificar as substâncias presentes e estimar sua participação no total dos conjuntos analisados.
A pesquisa identificou especialmente sinais associados a polialquilenoglicóis, ftalatos e organofosfatos, além de outras substâncias industriais e aditivos.
Esses compostos estão associados a atividades industriais, materiais plásticos, lubrificantes e produtos de consumo geral provenientes de atividades humanas.
Os ftalatos, por exemplo, são uma família de compostos utilizada principalmente como plastificantes, incorporados a materiais plásticos para aumentar sua flexibilidade.
Os pesquisadores identificaram cinco compostos industriais entre os mais frequentes, cada um aparecendo em mais de 30% das amostras, presentes em diferentes ambientes marinhos, costeiros e de mar aberto.
Entre os compostos farmacêuticos identificados está o atenolol, um betabloqueador utilizado no tratamento da hipertensão arterial e de algumas doenças cardiovasculares.
Já os químicos associados a pesticidas apresentaram distribuição ainda mais concentrada em ambientes próximos à costa, em regiões sul-africanas e caribenhas.
Entre os compostos detectados estão DEET e icaridina, substâncias utilizadas como repelentes de insetos.
Os resultados mais extremos foram registrados em regiões de transição entre rios e mar.
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