Deportação pelos EUA e Europa causa medo e insegurança em ativistas russos
As deportações de russos pelos EUA e países europeus podem expor ativistas e desertores a prisões, interrogatórios e possível envio à guerra na Ucrânia. A BBC News reuniu relatos de pessoas que voltaram à Rússia após terem pedido asilo no Ocidente.
Katya, nome fictício, foi deportada dos EUA após ter solicitado asilo político. Ela afirma que agentes do Serviço Federal de Segurança (FSB), órgão de segurança russo, interrogaram os passageiros por horas quando o voo chegou a Moscou.
Agentes entregaram documentos militares aos homens deportados, segundo Katya e outro ativista que estava no voo. Os papéis exigiam o registro em postos de alistamento, de onde homens podem ser enviados para a guerra na Ucrânia.
Leonid Melekhin, ativista contra a guerra, recebeu pena de seis anos de prisão após ser deportado pelos EUA. A Justiça russa o condenou por "justificar o terrorismo" depois que ele publicou imagens de Vladimir Putin com críticas ao presidente.
As remoções de cidadãos russos pelos EUA subiram de 222 em 2023 para mais de 1.200 em 2025. Ativistas relatam que dissidentes e desertores estão entre os deportados, e que alguns foram presos ou enviados à guerra depois de voltar ao país. O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos afirmou à BBC News que todos os imigrantes em situação irregular têm direito ao devido processo legal e que o país remove quem um juiz considera sem direito de permanecer no território americano.
Andrei Pivovarov, integrante do Comitê Antiguerra russo no exílio, afirma que há casos de pessoas condenadas após cruzarem a fronteira. "Temos vários exemplos de pessoas que receberam oito anos de prisão", disse ele à BBC News.
A Alemanha deportou mais de 110 cidadãos russos em 2025, ante sete em 2023. Mais de 21 mil russos pediram asilo no país entre 2022 e 2025, mas as decisões favoráveis caíram de 29% em 2023 para 6,8% nos primeiros 11 meses de 2025, conforme autoridades alemãs.
A proporção de russos que obtiveram algum tipo de proteção na União Europeia caiu de 23% em 2024 para cerca de 17% nos primeiros nove meses de 2025. A agência alemã de migração e asilo afirmou que a proteção só é concedida quando há temor real e fundamentado de perseguição.
O ex-soldado Artyom diz que foi deportado dos EUA via Egito, apesar de ter apresentado provas de uma investigação por deserção na Rússia. Detido em uma instalação militar ao chegar a Moscou, ele conseguiu fugir e agora vive escondido fora do país.
Mikhail e Dasha aguardam uma possível deportação da Finlândia após cinco recusas de asilo. A Anistia Internacional, que apoia o casal, afirma que os dois correm risco real de detenção, processo, prisão e tortura caso retornem à Rússia.
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