Justiça aceita denúncia e torna réus 12 ex-executivos da Americanas
A Justiça Federal do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do MPF (Ministério Público Federal) e tornou réus doze ex-executivos da Americanas no caso da fraude bilionária que levou a varejista a pedir recuperação judicial.
A Justiça acolheu ontem a denúncia, apresentada pelo MPF em 2025. A decisão foi tomada pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, que abriu ação penal contra o grupo de ex-executivos da empresa. O processo corre em segredo de Justiça.
O MPF havia denunciado 13 ex-funcionários, mas um deles firmou acordo de colaboração premiada. O ex-diretor Márcio Cruz firmou acordo com o MPF em outubro de 2025. Com isso, doze ex-executivos passaram à condição de réus após o acolhimento da denúncia.
Dentre os denunciados está Miguel Gutierrez, ex-CEO da companhia, apontado como líder do esquema. Também estão entre os réus Anna Saicali, José Timótheo de Barros, Anna Christina Sotero, Carlos Padilha, João Guerra, Murilo Corrêa, Maria Christina Nascimento, Fabien Picavet, Raoni Lapagesse, Luiz Saraiva, Jean Pierre Lessa.
Os executivos foram denunciados pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado. Parte deles também vai responder por uso de informação privilegiada. Na denúncia, o MPF afirma que os ex-executivos apresentavam números falsos ao conselho de administração da empresa e ao mercado de capitais.
A denúncia foi acolhida mais de um ano depois de ter sido apresentada pelo MPF. A procuradoria ofereceu a denúncia em março de 2025, em que apontava a ex-diretoria da empresa como responsável por uma fraude de R$ 20 bilhões na companhia.
Um dos motivos para a demora na decisão foi uma disputa envolvendo as provas do caso. As defesas dos executivos denunciados reclamaram de falta de acesso ao material. São 48 HDs de provas coletadas. Foi realizado ainda um processo de checagem para avaliar a integridade das provas.
Em janeiro de 2023, a Americana revelou um rombo da ordem de R$ 20 bilhões em seus balanços. O rombo é investigado pela Polícia Federal e pelo MPF (Ministério Público Federal) na Operação Disclosure.
A investigação continua. Em junho deste ano, a PF deflagrou a segunda fase da Operação Disclosure, para investigar o papel dos bancos na fraude e a possível participação de acionistas.
Empresa diz que não teve acesso à decisão. A varejista diz que confia no trabalho das autoridades para que os autores da fraude de resultados sejam responsabilizados.
A Americanas afirma que foi vítima de fraude cometida por seus ex-executivos. Em nota, a empresa disse que houve uma "fraude estruturada e de natureza dolosa" e que ex-executivos manipularam controles internos, registros contábeis e informações relevantes ao mercado.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.