Óculos de IA da Meta facilitam assédio e exposição de mulheres, diz estudo
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Uma mulher aguarda a refeição sentada sozinha à mesa de um restaurante nos Estados Unidos. Um homem desconhecido senta à sua frente e fala "Desculpa, estava atrasado" como uma forma de cantada. Ela pede que ele saia. Ele insiste. Outra mulher, sentada na mesa ao lado, pede que ele se retire.
Um vídeo do momento foi publicado como parte do conteúdo filmado com óculos inteligentes da Meta no TikTok . O homem não aparece no vídeo, já que usava os óculos de inteligência artificial para gravar. As mulheres são expostas e recebem comentários sobre sua aparência e "falta de educação" na rede social.
A maioria dos registros é em inglês, com poucos no Brasil e falados em português. Em um dos exemplos no país, um homem que faz pegadinhas para as redes sociais filma crianças que têm o corpo e o rosto exposto mesmo com a tarja que ele coloca. O vídeo mostra as mães proibindo a filmagem e discutindo com o produtor de conteúdo.
Um estudo do projeto Governança de Tecnologias Imersivas da Universidade de Sydney, na Austrália, analisou 350 registros desse tipo de 2023 a 2026 e concluiu que os óculos inteligentes, que filmam e gravam áudio, facilitam o assédio a mulheres e sua exposição digital.
Dentre os vídeos analisados, cerca de 60% foram classificados como assédio potencial, com as mulheres exibindo desconforto visível ou tentando ir embora.
O artigo também encontrou um dano digital prolongado. Em 43% dos casos, as mulheres tiveram seus dados revelados pela audiência, incluindo localização, nome e perfil na rede social.
Além disso, afirmam os pesquisadores, 13% das filmagens focam em detalhes dos corpos das mulheres e cerca de 14% mostram mulheres racializadas, que recebem comentários racistas sobre seus corpos.
Segundo o artigo, a tecnologia está avançando em "velocidade vertiginosa" e os reguladores estão sempre um passo atrás, incapazes de agir após o dano já estar nas ruas.
Procurada, a empresa diz, em nota, que as pessoas usam os óculos inteligentes porque eles são úteis para funções como ouvir música, fazer traduções simultâneas ou ligações com as mãos livres. Segundo a Meta, a confiança de quem usa o dispositivo e das pessoas ao redor é levada em conta desde a concepção dos óculos.
A primeira geração do produto foi lançada em 2023 nos Estados Unidos. No Brasil, a Anatel autorizou a comercialização da segunda geração em setembro de 2025 custando cerca de R$ 3.000.
Movimentos feministas brasileiros se juntaram neste ano aos americanos para alertar sobre os perigos em relação aos direitos das mulheres.
No Brasil, a Girl Up, que reúne cerca de 80 coletivos feministas pelo país, com aproximadamente 800 meninas, começou a se mobilizar para protestar contra os óculos. As campanhas são feitas em conjunto com a organização de direitos digitais Ctrl+Z.
As ativistas citam também um caso brasileiro. Em Salvador, uma paciente denunciou um ginecologista que usava os óculos inteligentes durante a consulta. O médico foi preso em flagrante, mas solto após a investigação descartar qualquer atitude criminosa e confirmar que ele não havia filmado a paciente.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.