BC liquida Trustee e Banvox, ligadas ao caso Master
Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlava as instituições; Trustee também foi alvo da Operação Carbono Oculto
O Banco Central decretou nesta 5ª feira (3.set.2026) a liquidação extrajudicial da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. e da Banvox Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., ambas com sede em São Paulo e ligadas ao caso Master .
A liquidação foi determinada pelo BC em razão da existência de “graves violações às normas legais que disciplinam as atividades das instituições” . Eis a íntegra do comunicado do BC (PDF – 107 kB).
A Trustee DTVM era a principal administradora dos fundos do Master Asset Management, braço de gestão de recursos do conglomerado.
A instituição também esteve no centro de uma investigação da Polícia Federal. Em 2025, a Trustee foi alvo da Operação Carbono Oculto , que apurou um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
A investigação apontou o uso de fintechs e fundos de investimento para movimentar e ocultar recursos. Segundo informações da Receita Federal, o grupo investigado chegou a controlar cerca de 40 fundos, com patrimônio total estimado em R$ 30 bilhões.
Depois da deflagração da operação, a Trustee afirmou que havia deixado a administração dos fundos investigados antes da ação da Polícia Federal, depois de identificar inconsistências relacionadas à atualização cadastral.
A Banvox DTVM também fazia parte do mesmo conglomerado prudencial da Trustee. As 2 instituições eram ligadas a Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master.
O Banco Central informou que continuará adotando as medidas necessárias para apurar as responsabilidades relacionadas às irregularidades identificadas.
As investigações podem resultar em sanções administrativas e no encaminhamento de informações às autoridades competentes, conforme as disposições legais.
Com a decretação da liquidação , ficam indisponíveis, a partir desta 5ª feira (3.set), os bens dos controladores e dos ex-administradores das 2 instituições.
Segundo a autoridade monetária, as distribuidoras integram conglomerado prudencial classificado no segmento S4 da regulação prudencial e têm baixa representatividade no Sistema Financeiro Nacional.
Em julho de 2026, as 2 instituições representavam, em conjunto, menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional e 0,76% do volume de administração de recursos de terceiros.
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